Em anúncios publicados nos jornalões paulistas de 8 de Novembro, a Universidade Bandeirante (Uniban) anuncia que decidiu expulsar a aluna Geisy Arruda.
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
UJS repudia o ato da Universidade de Bandeirantes
Em anúncios publicados nos jornalões paulistas de 8 de Novembro, a Universidade Bandeirante (Uniban) anuncia que decidiu expulsar a aluna Geisy Arruda.
quinta-feira, 26 de março de 2009
Conferência Nacional de Educação – qual será o centro do debate?
Márcio Cabral, diretor de movimento estudantil universitário da UJS, escreve em artigo sobre a importância da Conferência Nacional de Educação e do elemento que considera central nos debates educacionais do próximo período: "a ampliação da educação e a sua tarefa pública frente aos interesses privados e fragmentados que permeiam esta discussão".
Leia a íntegra do artigo.
Conferência Nacional de Educação – qual será o centro do debate?
“Qualquer pessoa que se recuse a assumir
a responsabilidade coletiva pelo mundo não deveria ter crianças,
e é preciso proibi-la de tomar parte em sua educação.” (Hannad Arendt)
Hannad Arendt, filosofa alemã, em seu artigo “A crise da educação”, afirmava que ter responsabilidade pelo mundo assume, na contemporaneidade, a forma de autoridade, fato este que deve ser reconhecido para muito além da qualificação ou da capacitação. Talvez esta seja uma das explicações para o atual estado da educação pública brasileira – ausência de autoridade legítima ou total falência da responsabilidade coletiva sobre o ato de educar as novas gerações. E é interessante relacionar este pensamento ao fato histórico da convocação da Conferência Nacional de Educação – Conae, que tem como tarefa central a construção do sistema nacional integrado, além de debater o novo Plano Nacional de Educação – PNE.
O objetivo proposto pela Conae não é nenhuma novidade, pois esta tem sido a pauta principal do movimento progressista em educação no Brasil. É possível identificar na história ressente da República a legitimação de interesses privados em detrimento do bem público, e lógico, que a educação pública também esteve permeada por este enfoque.
Há no sistema educacional brasileiro uma forte contradição. A escola de massas que se consolidou nas últimas décadas permanece distante da formação necessária que o próprio sistema capitalista coloca como condição essencial à formação do homem ativo, produtivo e integrado. Neste sentido, nos ofereceram duas alternativas para elegermos um culpado para o fracasso da educação brasileira. O primeiro trata de responsabilizar a escola, pois diz-se que esta encontra-se despreparada para educar, instruir e profissionalizar. De outro lado, a própria escola trata de culpar a sociedade por esta ter se desresponsabilizado pela educação de seus filhos, ou ainda, de forma mais imediatista, trata de eleger o aluno como desinteressado, incapaz e problemático.
Em meio a tudo isso a questão da autoridade surge como um alerta social capaz de enfrentar esta falsa contradição. A escola tem sido o primeiro canal de relação da criança com o mundo. No entanto, a escola não é, de modo algum, o mundo e jamais deverá sê-lo. Assumir autoridade é um primeiro passo para esse resgate. Como dizia Arendt, “quanto mais radical se torna a desconfiança face à autoridade na esfera pública, mais aumenta, naturalmente, a probabilidade de que a esfera privada não permaneça incólume.” Portanto, é preciso resgatar a autoridade pública frente aos desafios de educar uma nação. Não nos será permitido relegar somente à escola o papel de educar nossos filhos. Para tanto, o Estado (não o governo) deve assumir para si o resgate da autoridade e, assim, ser capaz de responsabilizar também a sociedade para tal.
É nisto que se fundamenta a necessária ação articulada do campo progressista na Conferência Nacional de Educação. Precisamos restabelecer os atores e apontar os papéis corretos para que a educação pública assuma a sua real tarefa, pois é nela que reside “o ponto em que decidimos se amamos o mundo o bastante para assumirmos a responsabilidade por ele”. (Arendt)
Responsabilizar-se é, neste sentido, delegarmos com clareza o papel do Estado, da sociedade e da escola frente à educação e aprendizagem. E isso não será feito se o palco propício para isto se tornar objeto de disputas corporativas incapazes de identificar o centro do embate: a ampliação da educação e a sua tarefa pública frente aos interesses privados e fragmentados que permeiam esta discussão, resgatando o citivas mundi, onde a educação assuma a formação do sujeito “mundanizado”, ativo, liberado de vínculos e ordens e crítico frente aos desafios de seu tempo.
Márcio Cabral, estudante de Pedagogia da UNIFESP e membro da Executiva Nacional da UJS
terça-feira, 17 de março de 2009
Centenas de estudantes ocupam o Senado durante a Blitz da UBES pela Reserva de Vagas
Na manhã desta quarta-feira, 11, a juventude tomou conta do Senado Federal, em Brasília (DF). Com camisetas estilizadas, faixas e panfletos, centenas de estudantes de diversas regiões do País ocuparam o Senado para pedir a aprovação imediata do Projeto de Lei da Câmara nº 180/08, que reserva 50% das vagas em universidades públicas para alunos oriundos de escolas públicas.Organizada pela UBES, a Blitz da Reserva de Vagas teve ampla cobertura da imprensa e contou com o apoio de diversos parlamentares, entre eles a senadora Serys Slhessarenko (PT-SC), relatora do projeto, o senador Inácio Arruda (PCdoB-CE) e a deputada federal Manuela D'ávila (PCdoB-RS). Durante a mobilização, o presidente da UBES, Ismael Cardoso, ressaltou a importância da aprovação da reserva de vagas como instrumento de inclusão de milhares de brasileiros que não conseguem entrar numa universidade.
"Não aceitamos mais ficar de fora da universidade. Viemos conversar com cada senador e pedir o seu apoio pela aprovação do projeto. O Senado precisa atender a um anseio da população, que apóia amplamente o mecanismo", explicou.
Após uma conversa com o senador Demóstenes Torres (DEM-GO), presidente da Comissão de Constituição e Justiça do Senado (CCJ), onde o projeto está tramitando, os estudantes seguiram para a sala do presidente do Senado, senador José Sarney (PMDB-AM).
Recebidos pelo presidente, os estudantes pediram seu apoio para a aprovação da reserva de vagas. Apesar de se dizer favorável à medida, Sarney afirmou que, para que o projeto seja colocado em pauta, será necessário primeiro aprová-lo na CCJ.
A passagem pela capital federal foi finalizada com um ato, em que palavras de ordem como "Filho de pedreiro vai poder virar doutor", "Sou estudante, quero estudar. Reserva de Vagas Já!", chamaram a atenção dos parlamentares, funcionários e demais pessoais que passavam pelo Congresso Nacional. Vale ressaltar que a realização do ato só foi possível do lado de fora do Senado, já que somente um grupo menor foi autorizado a entrar e falar com os senadores.
Revista Veja: mau jornalismo e veneno contra a Reserva de vagas
Em sua nova edição, a revista Veja faz pesadas críticas à proposta de reserva de vagas aprovada pela Câmara e que aguarda votação no Senado para as "próximas semanas", segundo a própria reportagem. Entitulada "Uma segunda opinião" - como se um projeto que tramita desde meados da década de 90 no Congresso não tivesse sido debatido -, da matéria escorrem o conservadorismo e o preconceito já consagrados no panfleto dos Civita.De início, a jornalista Camila Pereira questiona se às universidades cabe o papel de "reparar injustiças históricas". E completa: "As universidades existiram desde sempre para produzir conhecimento. A produção de conhecimento de qualidade só é possível em ambientes de porta de entrada estreita e com regime de mérito".
Mais grave que o mau jornalismo, contudo, é a conclusão bombástica de que são inimigos inconciliáveis a qualidade do ensino e a ampliação da quantidade de alunos, ou seja, a democratização do acesso. Pior: que apenas apartada do povo a universidade pode seguir sua vocação de excelência.
Primeiro, quanto ao regime de "mérito", leia-se vestibular, já há experiências que questionam sua eficácia e propõem a substituição por métodos mais democráticos e que não reproduzam a clivagem sócio-econômica deste. Depois, historicamente os movimentos sociais ligados à educação, em especial o estudantil, souberam lutar por ampliação e democratização do acesso ao ensino superior com o pressusposto de aumento das verbas e garantia de qualidade. Uma das bandeiras de democratização do acesso é a Reserva de Vagas, como forma de abrir as portas da universidade para os filhos dos trabalhadores, aproximá-la do povo e (por que não?) reparar, sim, as "injustiças históricas", pois o conhecimento produzido deve servir aos interesses do país e da grande maioria do povo.
Mas à Veja - e ao projeto político que ela empresta suas páginas - não interessa a ampliação dos recursos empregados na educação. Afinal, os gastos públicos são melhor canalizados em "ambientes de porta de entrada estreita", como o bolso de banqueiros e apaniguados.
"Contaminação ideológica"
Segundo a reportagem, o projeto que institui as cotas sofre de "contaminação ideológica", tem "forte apoio oficial" do governo, que pratica "retaliação automática" aos opositores da ideia. E dá a palavra a um militante de organização do movimento antirracista: "Não apoioar as cotas, como é o meu caso, significa abrir mão de financiamentos e cargos públicos", diz. Aqui novamente o panfleto pratica o jornalismo comodista, próprio de quem quer dar voz a uma posição política determinada. Seria difícil perguntar ao tal militante um exemplo de situação em que ele ou sua entidade tenham sido preteridos em "financiamentos e cargos públicos" por sua posição nessa matéria?
Além do mais, o projeto - que de fato conta com a simpatia do governo federal - tramita desde muito antes do início do primeiro governo Lula e foi aprovado também com votos da oposição. Mais: o ex-ministro da educação de FHC Paulo Renato foi o proponente da emenda que instituiu no projeto o critério econômico que reserva parcela das vagas a estudantes de famílias com renda per capta de até 1,5 salário mínimo.
Linha editorial contaminada
Quem de fato parece padecer de "contaminação" é a linha editorial de Veja. Disposta a mandar às favas os escrúpulos e alimentar sua cruzada contra o governo federal, a revista tira do bolso do colete uma comparação entre a reserva de vagas e as práticas do regime de apartheid, na África do Sul, e do nazismo, na Alemanha, para depois estocar: "É previsível que, se implementado nacionalmente no Brasil o sistema de cotas, negro será quem o agente do estado petista disser que é negro". Haja veneno.
Um tema de tão evidente interesse social e que produz tão variadas e respeitáveis posições, favoráveis e contrárias, não deveria merecer abordagens tão rasteiras, tão pedestres quanto estas de Veja.
Em outros rompantes, o panfleto ainda diz que no caso de aplicação da proposta, os beneficiários da "reparação não são aqueles que concretamente foram feridos pela escravidão", que "as cotas não resolvem as desigualdades sociais" e que ações afirmativas não resolveram problemas sociais em outros países.
De fato, políticas afirmativas são, em geral, medidas paliativas que melhoram, mas não resolvem definitivamente, posto que não atacam a causa das desigualdades. Mas, pela lógica estampada na revista, melhor é sentar em cima das desigualdades, renovar o calote na "dívida histórica" com negros e índios e seguir a vida, piorando e nunca melhorando a situação dos mais pobres. É bom lembrar que, por esse raciocínio, o ProUni - um dos programas governamentais de maior aprovação - também não deveria ter sido implementado. Ou, radicalizando um pouco mais, as políticas como o Bolsa Família, por exemplo, seriam contra-producentes, pois "é preciso ensinar a pescar e não dar o peixe".
Blitz no Senado para conquistar a Reserva
O debate sobre a Reserva de Vagas vem de longa data e é de conhecimento geral que a proposta não resolverá sozinha um dos grandes entraves do ensino superior brasileiro, que é a necessária radical democratização do acesso com garantia de qualidade. É preciso dar passos para que, no futuro, ele seja universal e todos os interessados tenham condições efetivas de ingressar na universidade. Contudo, a aprovação da Reserva de Vagas, inclusive com as chamadas "cotas sociais", é um avanço que atende a demandas históricas do movimento social e aproxima a hoje elitista e fechada universidade das necessidades e interesses do povo.
Ciente da possibilidade de ver concretizada a reivindicação, o movimento estudantil já se prepara para fazer uma blitz no Senado Federal, no próximo dia 11 de março, para cobrar dos parlamentares a imediata votação e aprovação do texto.
Fernando Borgonovi, diretor de Comunicação UJS