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segunda-feira, 9 de novembro de 2009

UJS repudia o ato da Universidade de Bandeirantes


Em anúncios publicados nos jornalões paulistas de 8 de Novembro, a Universidade Bandeirante (Uniban) anuncia que decidiu expulsar a aluna Geisy Arruda.
A estudante de Turismo sofreu bárbaro assédio coletivo no dia 22 de Outubro, na unidade de São Bernardo do Campo. O motivo: trajar na ocasião um vestido curto, num tom cereja.
O texto publicado pela Uniban deve converter-se imediatamente em peça de estudo para juristas, educadores, antropólogos e sociólogos.
A universidade preferiu punir a vítima e inventar uma justificativa pitoresca para o espetáculo do bullying, registrado por câmeras do próprios alunos e vergonhosamente exposto ao mundo pelo Youtube.
Segundo os negociantes da educação, "a atitude provocativa da aluna resultou numa reação coletiva de defesa do ambiente escolar".Seria cômico se não fosse trágico.
A Uniban, mais uma das uniesquinas do Brasil, considera "defesa do ambiente escolar" a agitação do bando que ameaçava estuprar a colega e que a perseguiu aos gritos de "puta, puta, puta".
Alheia a valores e princípios, a Uniban pautou-se unicamente pela doutrina da preservação do lucro. Expulsou a mocinha da periferia e manteve as centenas de vândalos que a molestaram.Defendeu, assim, a receita, a contabilidade, mesmo sob o risco de macular para sempre sua imagem.
Em "Psicologia das Multidões", Gustave Le Bon refere-se com clareza ao fenômeno da sugestão em movimentos de multidões.
Diz ele: "Os indivíduos de uma multidão que possuem uma personalidade bastante forte para resistirem à sugestão são em número tão diminuto que acabam por ser arrastados pela corrente".
Le Bon lembra que, em determinadas situações, a multidão transforma o indivíduo civilizado num bárbaro, num ser primitivo, movido pelo instinto, que vibra com o ataque ao inimigo inferiorizado.
Poucas vezes se viu isso tão claramente quanto no episódio de 22 de Outubro. Há garotas inconformadas com a sina; afinal, não têm o corpão de Geisy. Há machões conquistadores não correspondidos, movidos pelo instinto de vingança. Por fim, a turba ignara que se diverte com a perseguição, algo muito semelhante à farra do boi.
A curvilínea e voluptuosa Geisy, que concedeu entrevistas aos programas televisivos vespertinos, exibiu-se no mesmo vestido que gerou a fúria de seus colegas de universidade.Nada formidavelmente pecaminoso como se poderia imaginar. Aliás, fosse ela mirrada e poucos notariam a ousadia de suas vestes.
Esses aspectos objetivos da questão foram ladinamente desconsiderados pela direção da universidade.
Em nome do "negócio", a Uniban preferiu investir na fabricação de canalhas. A decisão funciona como um sinal verde para os moralistas cafajestes de todos os tipos. Esse incentivo criminoso, pois, não se limita aos clientes da instituição, mas ao conjunto dos estudantes brasileiros.
Paulo Freire, costumava advertir os educadores com a seguinte frase:"Conhecer é tarefa de sujeitos, não de objetos. E é como sujeito, e somente enquanto sujeito, que o homem pode realmente conhecer".No caso em debate, a Uniban fez exatamente o contrário. Desprezou o sujeito, deseducando-o. Concomitantemente, priorizou o objeto, isto é, seu negócio, o prédio iluminado vendedor de diplomas.
Dessa forma, trocou todas as regras da civilidade por um repugnante código de carceragem.O episódio Geisy revela a decadência do ensino universitário brasileiro, transformado em oportunidade de mercado. Essa é a herança do regime militar e dos governos conservadores que o seguiram, sobretudo aquele do privateiro Fernando Henrique Cardoso.
Ironicamente, o bajulado professor uspeano de tudo fez para esculhambar o ensino público de qualidade, entregando o sagrado ofício da educação às máfias dos certificados e aos traficantes de títulos acadêmicos.
Tempos de provação. E, como formigas, os canalhas saem aos montes dessas instituições, prontos a divinizar o pensamento neoliberal e a Lei de Gérson, seduzidos à barbárie por diversão.Mauro Carrara

domingo, 22 de março de 2009

A Argentina enfrenta os barões da mídia

A Argentina enfrenta os barões da mídia

Nas próximas semanas o governo da presidente Cristina Kirchner, da Argentina, vai enfrentar um dabate de grandes dimensões no qual, com certeza, a fúria dos barões da mídia vai se manifestar com uma intensidade maior do que a usual. O motivo: ao enviar ao parlamento um projeto de lei sobre a comunicação social, a presidente se contrapôs diretamente aos interesses daqueles monopolistas que, desde a ditadura militar, há quase trinta anos, manipulam a opinião pública de acordo com suas conveniências - e que hoje estão na oposição ao governo, saudosos dos privilégios que tinham no tempo dos generais presidentes.

São grupos poderosos. Somente quatro ''famílias'' controlam 83% da mídia - uma situação paralela à do Brasil, onde a comunicação é comandada por sete ''famílias''. O grupo do jornal Clarin, que foi um dos principais apoiadores da ditadura militar - repetindo papel semelhante ao desempenhados jornalões brasileiros, com detaque para a Folha de S. Paulo - tem metade do mercado de televisão paga, além de abocanhar grande fatia do mercado de jornais impressos e ter forte presença na internete, rádio e TV aberta.

Ao tomar esta iniciativa, Cristina Kirchner se coloca na vanguarda latino americana pela democratização dos meios de comunicaçã, à frente inclusive do Brasil, onde a prometida Conferência Nacional de Comunicação encontra resistências do tamanho dos gigantes monopolistas da mídia e sua feroz oposição a qualquer medida de abertura no setor.

É uma atitude ousada e corajosa, que a presidente da Argentina justifica como o atendimento de uma ''dívida da democracia”. A lei, disse ela, é “para que todos possam pensar por si mesmos e não como indicam uma rádio ou um canal de televisão... Os bens de caráter social não podem ser monopolizados por um setor ou por uma empresa que acreditam ser os donos da expressão de todo um povo”.

O projeto limita em 35% a concentração na TV a cabo e reduz de 24 para 10 o número de concessões por empresa. O importante é que reserva um terço do espectro da radiodifusão para entidades sem fins lucrativos, como os sindicatos, entre outras medidas democratizantes. Além disso e, principalmente, antevendo as poderosas pressões dos monopolistas da mídia contra sua aprovação pelo parlamento, determina que o projeto seja submetido a uma ampla consulta pública durante 90 dias antes de ir à votação. Esta é uma maneira de envolver em seu debate a sociedade e as entidades representativas do movimento social, para fortalecer a proposta.

Sergio Fernández, diretor da agência oficial de notícias argentina, diz que o projeto “representa um fato histórico e um passo fundamental para que os argentinos vivam numa verdadeira democracia''. Precisamos, justifica, ''viver numa sociedade aonde não exista censura e não há pior censura que a dos monopólios''.

Ele tem razão, e é por isso que a proposta da presidente Kirchner merece apoio de todos os democratas. Quebrar a concentração dos meios de comunicação é uma exigência da democratização mais profunda da sociedade, fortalecendo a participação popular e colocando limites ao poder desmedido do grande capital e das empresas monpolistas.
Renato Rabelo

Altamiro Borges: a democratização da mídia… na Argentina

Altamiro Borges: a democratização da mídia… na Argentina

Numa atitude ousada e corajosa, a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, resolveu enfrentar a ditadura midiática. Enviou ao parlamento um projeto de lei dos serviços de comunicação social para substituir a lei da radiodifusão imposta pelo regime militar (1976-1983). Ao anunciá-lo, ela afirmou que o projeto “é uma dívida da democracia”.

Por Altamiro Borges, em seu blog

Conforme explicou, a lei é “para que todos possam pensar por si mesmos e não como indicam uma rádio ou um canal de televisão... Os bens de caráter social não podem ser monopolizados por um setor ou por uma empresa que acreditam ser os donos da expressão de todo um povo”. Cristina Kirchner parecia se referir ao Brasil!

Entre outros avanços, o projeto limita em 35% a concentração no ramo de TV a cabo; reduz de 24 para 10 o número de concessões por empresa; reserva 33% do espectro da radiodifusão para as entidades sem fins lucrativos, inclusive sindicatos; fixa um calendário de “eventos de interesse público” para transmissão obrigatória; cria o Conselho Multisetorial e Participativo, composto por acadêmicos e entidades populares; apóia a produção local mediante cotas de exibição; fomenta a produção de conteúdos educativos e infantis; estimula a rede pública de comunicação; determina as audiências públicas para renovação de concessões e uso das tecnologias digitais.

Apoiador da ditadura, Clarín estrebucha

Como relata Emir Sader, que participa de um seminário em Buenos Aires, “a mídia privada, que conviveu tranquilamente com a lei imposta pela ditadura, já começou uma nova campanha contra o governo, acusando-o de ‘totalitário’ e de querer controlar a ‘imprensa livre’ – autodenominada por eles mesmos, os poucos grupos controlados oligarquicamente por poucas famílias, que se julgam no direito de definir quem é democrático. A proposta argentina é uma decisiva contribuição para a democratização na formação da opinião pública e, por isso mesmo, será alvo dos violentos ataques da mídia, que promoveu o golpe militar de 1976 no país e apoiou a ditadura militar”.

O sociólogo lembra que o jornal Clarín, que hoje faz oposição à presidente Cristina Kirchner, foi um dos principais apoiadores da ditadura militar. Já no fim do reinado do general Rafael Videla, ele publicou: “Ao final de cinco anos há um saldo de ordem, segurança e paz imposta pela força militar... Videla volta a seu lar acompanhado pelo respeito e consideração dos que reconhecem sua honestidade e seu patriotismo”. Hoje, o general-torturador é execrado pela sociedade e sofre vários processos. O grupo Clarín prosperou na ditadura e atualmente é dono de 50% do mercado de TV paga e jornais, além de participações na internet, rádios e canais abertas. No ano passado, ele foi o principal porta-voz do locaute dos barões do agronegócio contra o governo Kirchner.

“Pior censura é a dos monopólios”

O novo projeto de lei significa um duro golpe no poder monopolizado e manipulador do Clarín e das outras três famílias que controlam a mídia no país. Como afirma Sergio Fernández, diretor da agência oficial de notícias, “ele representa um fato histórico e um passo fundamental para que os argentinos vivam numa verdadeira democracia. Necessitamos viver numa sociedade aonde não exista censura e não há pior censura que a dos monopólios. Na construção da subjetividade humana, poucas coisas são tão antidemocráticas como a dos grandes meios de comunicação. Em nosso país, apenas quatro grupos são responsáveis pela edição e distribuição de 83% dos conteúdos informativos. Eles exercem uma influencia determinante na disputa dos sentidos”.

Conforme alertou, o debate sobre a nova lei deverá contagiar a sociedade nas próximas semanas. O texto será submetido à consulta pública por até 90 dias antes de ir à votação no parlamento. O governo conta com o apoio de importantes entidades populares, como a ONG Mães da Praça de Maio, e de várias rádios e televisões comunitárias. Já os barões da mídia se encontram divididos, numa disputa fratricida entre os donos da radiodifusão e as empresas de telefonia, que desejam entrar neste mercado lucrativo. Apesar desta fratura, os jornalões e as emissoras de TV prometem dar dor de cabeça à presidente Cristina Kirchner. A manipulação será violenta.

Debate empacado no Brasil

Enquanto o debate sobre a democratização dos meios de comunicação avança na Argentina, no Brasil o status quo se mantém inalterado. Durante o Fórum Social Mundial, realizado em Belém (PA) no final de janeiro, o presidente Lula finalmente anunciou a convocação da Conferência Nacional de Comunicação. A notícia foi festejada pelos ativistas que lutam contra a ditadura midiática no país. Até agora, porém, a portaria convocando o evento não foi publicada. Há boatos de que o atraso se deve à feroz disputa sobre os rumos da conferência – temário e comissão organizadora –, com divergências no próprio governo e entre as poderosas empresas da área.

O atraso confirma que a conferência será alvo de intensa disputa. Como aponta Renata Mielli, no seu blog Janela sobre a palavra, há muitos inimigos de um debate democrático sobre este tema – a começar do representante da TV Globo “sentado na cadeira do Ministério da Comunicação... Os tubarões da mídia, preocupados em ver o seu castelo ser ameaçado, já se preparam para participar dos debates com o intuito de minimizar possíveis avanços no sentido da ampliação da participação da sociedade. Da nossa parte, fica a necessidade de ampliar a mobilização dos mais amplos setores para participarmos da conferência que é nevrálgica para o avanço da democracia. Uma vez que, infelizmente, Lula não tem a mesma ousadia de Cristina Kirchner”.

Ana Marta: na UJS me fiz e a ela me devo!

Ana Marta: na UJS me fiz e a ela me devo!

"Sonho que se sonha só é só sonho, sonho que se sonha junto é realidade" (Raul Seixas)

Minha vida está marcada, justamente, como a vida de tantas e tantos brasileiros que sonhavam e, dentre tantos sonhos, até os mais simples, como comer coisas que só se via na televisão e, principalmente, quando via as "pobres-ricas novelas brasileiras", que cumpriam o papel de, ao menos, inspirar aos que tem desejos e sonhos de progredir na vida. A dureza de viver e enfrentar a vida como ela se colocava naquela realidade, fazia parte do talvez, chamado destino.

Por Ana Marta da Silva Santos*

Uma vida tão simples e com tantas dificuldades em uma casinha tão pequena, onde todos os sete filhos dormiam em um mesmo quarto, onde tantas vezes éramos surpreendidos com a chegada do pai embriagado incomodando e até espancando filhos e esposa, impedindo-nos de ter o tão nobre momento humano: o sono! Era esse o dia-a-dia da "menina-adolescente" que era capaz de sonhar como mulher!

Em 2003, pouco depois de completar meus 16 aninhos tive de presente um convite para participar de uma reunião, organizada pelo professor Arismário (ex-militante da Juventude Viração), que preparava, politicamente, a um grupo de jovens e estudantes, que posteriormente, se formou a delegação Ipiraense ao 29o Congresso Nacional da Ubes, em novembro do mesmo ano em São Paulo, também primeira delegação da cidade a ir a um evento de tal relevância.

Confesso que foi a primeira vez que viajei "tão longe". Meus parentes que viviam em São Paulo sempre foram vistos como pessoas importantes, pelo simples fato de viver na "terra das oportunidades", para os nordestinos, independente do nível de vida e do oficio que realizasse, pois essa era uma das melhores formas de mudar de vida, e realmente, para mim, também foi, mas em um contexto diferente, pois não me coube limpar ou cozinhar para Doutores e, tampouco, ser explorada como mão-de-obra barata ou escrava, pois ali se abriu uma não, mas várias portas e janelas ao mesmo tempo, e meu ofício era entrar no mundo dos que pensam, amam, sonham e fazem tudo em busca de um mundo melhor, não só para si mesmo, mas para todos.

Talvez fosse desnecessário, mas faço questão de citar a tão grande emoção que me contagiava; como a cada um de vocês, nessa experiência fantástica e inesquecível, mas de fato, eu me sentia extasiada e até chorei de emoção quando, por primeira vez ouvi: "Viva, Viva, Viva a Juventude Socialista, Se eu quero e você quer mudar a situação..."; parecia que no dia seguinte estaríamos no mundo novo, transformado por nós mesmos. Claro, que rapidinho aprendi a cantar essa e tantas outras palavras de ordem da UJS e devo dizer que esse foi o fato mais emocionante, extraordinário e inesquecível da minha vida, até aquela idade. O mundo se tornou muito mais infinito e entendi por que o Sonho que se Sonha Junto è realidade!

A militância se deu naturalmente e estendeu-se da pequena cidadezinha do sertão baiano, chegando a preciosa capital da Bahia; e dentre as grandes tarefas estavam o ME( Grêmio do Central, Residência Estudantil, Abes, Ubes), e posteriormente o leque se ampliou com o movimento negro, de mulheres , sindical, luta ecológica, enfim..., tantas lutas que me fez desejar e amar esse mundo da política que você não vale um saco de cimento ou uma dentadura, mas sim o que você é capaz de produzir, pensar, contribuir e, ainda, pode contar com a contribuição desse coletivo que te embriaga de sonhos e desejos de mudar o mundo.

E, como me refiro a uma época não tão remota, mas que vivia em um contexto político diferente; para mim, a universidade (que na UJS aprendemos a vê-la e colocá-la na prioridade que merece, mesmo sendo a militância a maior universidade dessa vida!) era também uma luta prioritária, para mim, e sabia que não estava sozinha na batalha e, por fim, venci também nessa batalha, mas não foi na Bahia, nem no Brasil e sim na nossa pátria-irmã, Cuba, através das bolsas que o governo cubano doa as entidades não-governamentais a diversos países para que estudantes pobres e carentes que não podem custear seus estudos possam estudar na Elam — Escola Latino Americana de Medicina, que representa a concretização de mais um dos fantásticos sonhos do nosso comandante Fidel Castro, que nos acolhe extraordinariamente, adotando-nos como seus filhos, durante nossa residência temporária de seis anos e meio aqui.

A vida em Cuba tem sido uma extraordinária experiência e, só sairá daqui só médico quem quiser, pois as oportunidades de freqüentar um circuito cultural de primeira qualidade a preço tão módico; é incomparável. Além disso, aprendemos que o médico que só de Medicina sabe nem de Medicina sabe; portanto, nos cabe saber de Cultura, Arte, Política... em qualquer parte!Esta é a capital mundial da juventude e dos estudantes, o que nos permite, além de interagir com o povo cubano, interagir com pessoas de tantos países que nunca pensei em conviver; que também vêem aqui estudar diferentes carreiras.

Me resta dizer à "Força que Cresce", que não só cresci, mas que também amadureci, me fortaleci e, pelo pouco que me falta, também me profissionalizei, graças à sua existência e, hoje, depois de passados quase 15 anos me sinto um fruto seu e com o ensinamento do apóstolo da Revolução Cubana, Jose Marti: “Há que fazer em cada momento o que em cada momento e necessário”, portanto, da mesma forma que foi necessário distanciar-me fisicamente da sua estrutura, e necessário, aproveitar os 26 anos da UJS e no seu Congresso Nacional para saudar aos seus militantes e dirigentes dizendo: obrigada, UJS! Parabéns por ser uma perspectiva enorme para a juventude brasileira!!! Bem-vindos os que chegam e valeu aos que se vão!!! Felicidades!!!

Por ocupar as mais representativas entidades estudantis brasileiras (UNE/Ubes...), Latino-Americana (Oclae) e de Juventude (FMJD). Além de ter na sua trajetória nomes brilhantes e inesquecíveis de militantes que passaram dando suas contribuições indispensáveis e inconfundíveis.

Verdade é que a Biologia me chama e com os olhos cheios de lágrimas e com muita emoção, com sentimento de dever cumprido e sem querer dizer Adeus, digo até logo, e não é que estou saindo da mais guerreira e revolucionaria organização juvenil brasileira — é que cumprimos nossos papéis e vamos passando, alguns lentamente, outros mais rapidamente, afinal, chegam outras pessoas a cumprir as mesmas tarefas e, como você me fez, te digo: a você me devo!!! Meu dever agora é trilhar pelos teus mandamentos, recordando Che: “Se você é capaz de sentir por qualquer injustiça em qualquer lugar do mundo, somos companheiros!”.

Aqui, temos Che tão presente, que até as crianças conhecem muito do nosso Comandante, o que me faz ter dúvida quanto a sua ausência física, pois seus ensinamentos estão tão vivos..., que nos faz sentir e dizer: Seremos como El Che!!!

E nosso compromisso de ser como Che não se resume à profissão, mas também ao nosso ideal revolucionário de exercer a Medicina em prol dos que necessitam e não dos que tem melhor poder aquisitivo, pois saúde não é mercadoria e nossa formação trilha por esse caminho e, cabe à UJS apoiar a luta pela revalidação dos nossos diplomas, pois seguramente o que teme a elite médica brasileira é que em nossas consultas verão um belo cartaz, dizendo: “Entre! Aqui você não é um cliente e sim um paciente. Médico Formado em Cuba!

Sou a primeira militante baiana que termina o curso em Cuba e com muito orgulho, deixarei uns quantos e corajosos seres que seguirão suas carreiras para que amanhã sejamos não só os ex-estudantes de Medicina em Cuba, mas sim camaradas que também se fizeram em você e no momento devido entenderão que a você se devem, igual que tantos outros que ainda virão a cumprir a mesma tarefa e formaremos "El Ejercito de Batas Blancas" de Fidel e, conseqüentemente, doutores filhos de trabalhadores, pois cremos que “os poderosos poderão deter uma, duas ou até três rosas, mas jamais poderão deter a primavera!!!!”.

Nessa data tão importante, onde há 80 anos nascia o Comandante Ernesto Che Guevara, espero que tantos Ches nasçam hoje, que tantas meninas e meninos possam ser salvo do mundo das drogas e da prostituição, aonde as Anas, Martas, Marias, Rosas..., tenham seus destinos transformados e concretizaremos os nossos sonhos coletivos como nos ensinou Raul Seixas e viveremos a primavera “del Che”! “Vem pra UJS, vem pra luta também!".

VIVA CUBA!!!
VIVA O BRASIL!!!
VIVA A UJS!!!

"Sigamos sonhando juntos para que nossos sonhos se façam realidade e vivamos sempre a Primavera!"

* Ana Marta da Silva Santos é militante do PCdoB, da Unegro e da UBM, além de estudante de Medicina da Elam (Escola Latino Americana de Medicina) em Cuba

Mais sobre Komsomol

Mais sobre Komsomol

Komsomol ou Comsomol (em russo, Комсомол) — a organização juvenil do Partido Comunista da União Soviética (PCUS). O nome é uma contração de Kommunistitchéski Soiuz Molodiôji (Коммунистический союз молодёжи) ou União da Juventude Comunista. Criada em 29 de outubro de 1918, mudou de nome em 1922 para Liga Comunista Leninista da Juventude de Toda a União. A filiação ao Komsomol era permitida a partir dos 14 anos, até o limite de 28 anos de idade. Mesmo assim, os funcionários da organização deveriam ser antigos militantes, sendo portanto mais velhos que os membros regulares. Para os menores de 14 anos, existia o Movimento dos Pioneiros. No plano internacional, o Komsomol era o membro mais importante da Federação Mundial da Juventude Democrática (FMJD). Na época de seu auge, dos anos 1970 ao início dos anos 80, o Komsomol tinha mais de 40 milhões de afiliados.

Sobre as Contradições no Komsomol

Sobre as Contradições no Komsomol(1)

J. V. Stálin

3 de Abril de 1924

Primeira Edição: no livro: J. Stálin, «Sobre a União da Juventude Comunista». Moscou, 1926.
Fonte: J.V. Stálin – Obras – 6º vol., Editorial Vitória, 1954 – traduzida da edição italiana da Obras Completas de Stálin publicada pela Edizioni Rinascita, Roma, 1949.
Tradução: Editorial Vitória
Direitos de Reprodução: A cópia ou distribuição deste documento é livre e indefinidamente garantida nos termos da GNU Free Documentation License.

***

Devo dizer, em primeiro lugar, algumas palavras sobre a posição assumida pelo C.C. da União da Juventude na discussão que se desenvolve no Partido. Foi um erro que o C.C. da União da Juventude Comunista da Rússia mantivesse obstinado silêncio depois que as organizações locais já se haviam pronunciado. Mas seria errôneo interpretar o silêncio do C.C. da Juventude como uma posição de neutralidade. Foi apenas de uma prudência excessiva.

Agora, algumas palavras sobre os debates. Creio que não há entre vós divergências de princípio. Estudei as vossas teses e artigos e no entanto não encontrei divergências de princípio. Pelo contrário, encontrei neles confusão e um montão de artificiais contradições "inconciliáveis".

A primeira contradição consiste em contrapor a União como "reserva", à União, como "instrumento" do Partido. Que é a União, uma reserva ou um instrumento? Uma coisa e outra. Isto é claro e já foi dito pelos próprios camaradas nos seus discursos. A União da Juventude Comunista é uma reserva, reserva composta de camponeses e de operários, da qual o Partido retira novos contingentes. Mas, ao mesmo tempo, é um instrumento, um instrumento nas mãos do Partido, que influencia as massas da juventude. Poder-se-ia dizer, mais concretamente, que a União é um instrumento do Partido, uma arma auxiliar do Partido, no sentido de que os militantes ativos da União são um instrumento do Partido para influenciar os jovens que estão fora da União. Estes conceitos não são contraditórios e não podem ser contrapostos um ao outro.

A segunda pretensa contradição "inconciliável", na opinião de alguns camaradas, seria de que "a política de classe da União é determinada não pela sua composição social, mas pelo grau de firmeza das pessoas que a dirigem". Aqui se contrapõe a firmeza à composição social. Também esta contradição é artificial, pois a política de classe da União é determinada por ambos os fatores: pela sua composição social e pelo grau de firmeza do seu grupo dirigente. Se pessoas firmes sofrem a influência de uma composição social estranha ao espírito da União — cujos membros gozam de direitos iguais — a existência de tal composição não pode deixar de imprimir seu selo no trabalho e na política da União. Por que razão o Partido regula a sua composição social? Porque sabe que a composição social influi no seu trabalho.

Finalmente, outra contradição, também artificial, que diz respeito ao papel da União e ao seu trabalho entre os camponeses. Alguns colocam a questão nestes termos: a tarefa da União consistiria em "consolidar" a influência entre os camponeses e em ampliá-la; outros desejariam “ampliar a influência", mas não estariam de acordo em consolidá-la. E disso se quer fazer a plataforma da discussão. É evidente que a contraposição dessas duas tarefas é artificial, porque todos compreenderam muito bem que a União deve ao mesmo tempo consolidar e ampliar a sua influência no campo. É verdade que num ponto das teses do C.C. da União há uma frase infeliz sobre o trabalho entre os camponeses. Mas nem Tarkhânov nem os outros representantes da maioria do C.C. da União insistem naquela formulação infeliz e concordam em modificá-la. Depois disso, valeria a pena discutir por coisa de somenos importância?

Há, porém, na vida e na atividade da União da Juventude Comunista uma contradição, uma contradição real, não fictícia, sobre a qual desejaria dizer algumas palavras. Refiro-me à existência de duas tendências na União: a operária e a camponesa. Refiro-me à contradição entre estas tendências, que se faz sentir e que não se pode desprezar.

A parte relativa a esse problema foi o ponto mais fraco nos discursos dos camaradas. Todos dizem que é necessário aumentar os efetivos da União recrutando novos operários, mas todos tropeçam quando passam aos camponeses, ao problema do recrutamento dos camponeses. Até mesmo os oradores que falaram sem argúcias nem subterfúgios tropeçaram nesta questão.

É evidente que diante da União surgem dois problemas: o operário e o camponês. É evidente que, pelo fato de ser a uma organização operária e camponesa, essas duas tendências, essas contradições continuarão a existir também no futuro. Alguns, negligenciando os camponeses, dirão que é necessário recrutar os operários, enquanto outros dirão que é preciso recrutar os camponeses, subestimando a importância do elemento proletário na União como elemento dirigente. Esta contradição interna, inerte à natureza mesma da União, fez com que tropeçassem os oradores que falaram aqui. Nos discursos, fez-se um paralelo entre o Partido e a União. Mas o fato é que, na realidade, esse paralelismo não existe, pois o nosso Partido é operário, e não operário e camponês, enquanto a União é uma organização operária e camponesa. Por isso, a União não pode ser uma organização exclusivamente operária, mas deve ser ao mesmo tempo operária e camponesa. Uma coisa é clara: em virtude da estrutura atual da União, as contradições internas e a luta das tendências serão inevitáveis também no futuro.

Têm razão os que dizem que é preciso recrutar para o Partido os jovens camponeses médios, mas nesta questão é necessário ter muita prudência e não deslizar para a posição de um partido operário-camponês, coisa que ocorre às vezes até a alguns dirigentes. Muitos clamam: "Recrutais para o Partido operários, por que não poderemos recrutar, em igual medida, os camponeses? Demos ingresso a cem mil ou duzentos mil camponeses". O C.C. é contra esta tendência, porque o nosso Partido deve ser um Partido operário. Uns 70 a 80 por cento de operários e uns 20 a 25 por cento de não operários, tal deve ser, mais ou menos, a correlação no Partido. Na União, a questão é um pouco diference. A União da Juventude Comunista é a organização voluntária, livre, dos elementos revolucionários da juventude operária e camponesa. Sem camponeses, sem a massa da juventude camponesa, deixaria de ser uma união operária e camponesa. Mas é preciso agir de modo que o papel dirigente permaneça com o elemento proletário.


Notas:

(1) Discurso pronunciado na Conferência convocada pelo C.C.. do P.C.. (b) da Rússia para discutir os problemas do trabalho entre a juventude[N20]

[N20] A 3 de abril de 1924, no C.C. do P.C. (b) da Rússia, realizou-se uma reunião consagrada ao trabalho entre a juventude, de que participaram membros do C.C. do Partido e os membros e os suplentes do C.C. da U.J.C.R. e representantes das dez organizações provinciais mais importantes da U.J.C.R. A reunião fez o balanço da discussão sobre as tarefas imediatas do Komsomol, desenvolvida em começos de 1924. Depois de estudar os resultados da reunião, o C.C. do P.C. (b) da Rússia determinou às organizações locais do Partido e da União da Juventude que intensificassem os esforços por alcançar unidade e acordo no trabalho e chamou a atenção dos dirigentes da União da Juventude sobre a necessidade de melhor organizar o trabalho para cumprir as tarefas determinadas pelo Partido.

A crise mundial está só no começo

Por Altamiro Borges*

Os últimos dados econômicos indicam que a crise capitalista será mais destrutiva do que muitos imaginavam. Ela está mais para um tsunami do que para uma "marolinha". Ainda não deu para prever sua dimensão ou duração, mas ninguém mais duvida dos enormes estragos que causará e muitos se recordam do desastroso crash de 1929, que só atingiu o seu pico quatro anos depois — em 1933.

Os países capitalistas centrais estão derretendo. A economia dos EUA, apesar do socorro dos cofres públicos, não dá qualquer sinal de recuperação. Como descreve uma excelente reportagem do jornal Avante, do Partido Comunista Português, o cenário é dramático, desesperador.

"Com a economia e o desemprego a baterem todos os recordes negativos, os trabalhadores dos EUA enfrentam a fome e a degradação das condições de vida. Somente em fevereiro, segundo dados oficiais, registrou-se a perda de cerca de 700 mil empregos, cifra idêntica às apuradas em dezembro de 2008 e janeiro deste ano. Estes números elevam a taxa de desemprego para 8,1%, a mais alta dos últimos 25 anos... Desde dezembro de 2007, a economia norte-americana já perdeu quase 4,5 milhões de empregos, a maior perda desde a 2º Guerra".

O jornal cita a queda de 6,2% do PIB no último trimestre de 2008, a retração de 21,1% nos investimentos privados, a redução de 23,6% nas exportações e o abrupto aumento dos dependentes de cupons alimentares, já usados por 31 milhões de pessoas que passam fome e privações — um em cada dez estadunidenses.

O descolamento dos "emergentes"

As potências capitalistas da Europa vivem um quadro semelhante. O Financial Times divulgou nesta semana dados sobre a indústria no Reino Unido, França e Suécia, que comprovam a brutal retração econômica. Tecnicamente, a Europa já está em recessão. O PIB recuou 1,5% no último trimestre do ano passado, marcando o pior período desde a criação do Euro, em 1995. A recessão impulsiona o Banco Central Europeu (BCE) a cortar novamente a taxa básica de juros — que já se encontra no seu nível histórico mais baixo, de 2% — e aumenta a pressão pela estatização integral do sistema financeiro, que está totalmente apodrecido e contagia o restante da economia.

Mesmo nos chamados países emergentes, o cenário é preocupante e questiona a complicada tese sobre o "descolamento". Na China, com uma economia altamente dependente das exportações, as vendas externas tiveram em fevereiro a maior retração desde 1998, com queda de 25,7% na comparação com o mesmo mês do ano passado. Foi o quarto recuo consecutivo das exportações chinesas. No Brasil, a forte retração de 3,6% no PIB no último trimestre de 2008 ascendeu a luz vermelha e forçou o Banco Central a recuar na sua política criminosa de juros estratosféricos. A produção industrial tem encolhido e o desemprego se torna rapidamente uma dura realidade.

Limites históricos do capitalismo

Estes dados, entre outros, parecem confirmar as previsões mais pessimistas sobre a gravidade da crise. Em recente palestra em Buenos Aires, o intelectual francês François Chesnais afirmou que a economia capitalista vive "uma verdadeira ruptura, num processo de crise com características comparáveis à crise de 1929, ainda que se desenvolva num contexto diferente. É preciso recordar que aquela crise se desenvolveu como processo: começou em 1929, mas seu ponto culminante se deu depois, em 1933, e abriu caminho para uma longa fase de recessão. Digo isto para sublinhar que vivemos as primeiríssimas etapas de um processo de amplitude e temporalidade. Estamos diante de um desses momentos em que a crise exprime os limites históricos do capitalismo".

Citando uma passagem do livro O Capital, de Karl Marx, ele lembra que "o verdadeiro limite da produção capitalista é próprio capital... O meio empregado — desenvolvimento incondicional das forças produtivas — choca-se constantemente com o fim perseguido, que é um fim limitado: a valorização do capital existente. Por conseguinte, se o regime capitalista de produção constitui um meio histórico para desenvolver a capacidade produtiva material e criar o mercado mundial correspondente, envolve ao mesmo tempo uma contradição constante entre essa missão histórica e as condições sociais de produção próprias deste regime".

"Uma catástrofe para a humanidade"

Sem cair numa visão fatalista, Chesnais prevê que o sistema terá dificuldades para superar a crise e cita Marx: "A produção capitalista aspira constantemente a superar os limites imanentes a ela, mas só pode superá-los recorrendo a meios que voltam a levantar diante dela os mesmos limites, e ainda com mais força". A ofensiva neoliberal, com a desregulamentação financeira e o desmonte do keynesianismo, foi a resposta do capital à crise capitalista já presente nos anos 70. Mas ela não superou os limites imanentes do sistema e, ainda, agravou-os. "Um dos métodos escolhidos pelo capital para superar seus limites se tornou fonte de novas tensões, conflitos e contradições".

Os outros dois meios usados pelo capital para enfrentar sua crise foram: a criação descontrolada de capital fictício e a ampliação do mercado mundial, com a incorporação da China. O primeiro já teria sucumbido. "Toda a etapa de liberalização e de globalização financeira dos anos 80/90 foi baseada na acumulação de capital fictício, sobretudo em mãos dos fundos de investimento e de pensão". Este mecanismo entrou em colapso nos EUA. "Agora, eles estão desmontando este processo. Mas dentro dessa desmontagem, há processos de concentração do capital financeiro... Há uma fuga para frente que não resolve nada [...] e isso é um fator de perturbação ainda maior".

Quanto à China, ele não se arrisca a prever sua capacidade de resistência. Mas, numa abordagem polêmica, avalia que ela não se manterá imune. "A China é realmente um lugar decisivo, porque até as pequenas variações na sua economia determinam a conjuntura de muitos outros países do mundo". Com base nesta análise, Chesnais prevê que a crise mundial será mais grave do que se previa há alguns meses. Diante das críticas ao seu "catastrofismo", enfatiza: "Na realidade, creio que estamos diante do risco de uma catástrofe, mas não do capitalismo e sim da humanidade".

"Tempestade global" e o Brasil

No mesmo rumo, a economista Maria Conceição Tavares também teme que a crise só esteja no início. "Estamos diante de uma tempestade global. Não é apenas a violência que assusta; há o fato de que sua origem financeira torna tudo absolutamente opaco no horizonte da economia mundial. Mente quem disser que sabe o que virá e quanto tempo vai durar. Minha percepção é que será uma guerra de resistência". Para ela, a atual crise "é dramaticamente mais séria que a de 29. Ela ainda não alcançou a proporção daquela, mas o núcleo financeiro dos EUA está carcomido. Os maiores bancos praticamente agonizam. Baixas dessa magnitude não ocorreram nem em 29".

Quanto ao Brasil, motivo maior de preocupaçao da brasileiríssima Conceição Tavares, ela se diz preocupada, mas sempre otimista. "O Brasil tem condições de segurar o manche e aguentar... A luta será dura. Mas, pela primeira vez na história, o país enfrenta uma crise mundial sem ter que carregar o setor público nas costas. E isso é inédito. Nesta crise, o Estado não está afundado em dívida externa, para não dizer totalmente quebrado, como ocorreu nos anos 90. Significa mais do que não ter um peso morto. Significa um Estado em condições de amparar o investimento, o emprego e o capital de giro da economia... Basta ter determinação política". A questão é: será que o governo Lula está disposto a enfrentar a tempestade com ousadia e determinação política?

O camarada obama na veja

O camarada Obama na veja

Por Manuela D'ávila*

De rir!!! A Revista Veja dessa semana me tentou na banca. Um dos meus símbolos preferidos, o mais identificado com minha vida e ideais, aparece estampado na capa: a foice e o martelo, símbolo do comunismo, da luta dos trabalhadores do campo e da cidade. Calmem! Não foi isso que me fez rir. Junto ao símbolo aparece Barack Obama. O título faz menção a uma saudação que uso cotidianamente. Diz: Camarada Obama. Também não foi isso que me fez rir. Abaixo há um pequeno texto explicando porque, mesmo injetando bilhões de dólares na economia, Obama não está conduzindo os EUA ao socialismo. Morri de rir.

Depois, percebi. A crise econômica mundial deve estar deixando a turma da Veja muito pirada. Como tudo o que eles defenderam a vida inteira deu errado, a crise da economia é também a crise ideológica deles. Eles estiveram errados nas últimas duas décadas. Quantas vezes ecreveram que o meu partido era um "dinossauro" por defender a existência do Estado, promotor de políticas sociais e regulador da economia? E se o Brasil não tivesse sendo governado por Lula?

Eles chamaram toda a política de infra-estrutura, essa que eu apóio nas votações do Congresso, de atrasadas, que deveriam ser conduzidas pela iniciativa privada. E se esse recurso não estivesse sendo injetado na economia brasileira?

Bem, queria dar um recado a essa turma: deixem que a esquerda, esses dinoussauros, velhos superados, "bibelôs" (como fui chamada muitas vezes...) cuide da crise que vocês criaram no mundo, aqui no Brasil. Fiquem tranquilos que nós defendemos a união do povo para enfrentá-la. Além disso, podem ficar sossegados: Obama não é camarada. Mas na América Latina, onde a crise está sendo melhor tratada, nós, comunistas, estamos por todos os lados.

Não é de rir essa Veja?

*Manuela D'ávila é Deputada Federal pelo Rio Grande do Sul, autora da Lei que regulamenta os estágios e membro da Direção Nacional da UJS.

Muito a conquistar

Muito a conquistar

Em artigo publicado originalmente no jornal Diário de Santa Maria (RS) por ocasião do Dia Internacional da Mulher, a militante da UJS Luciele Alves Fagundes dá opiniões sobre a Lei Maria da Penha, política pública para combater a violência doméstica contra as mulheres.

"Dois pontos da lei são primordiais, um deles estabelece as formas da violência contra a mulher como física, psicológica, sexual, patrimonial e moral, visto que muitas vezes a agressão psicológica e moral pode causar danos tão graves quanto a agressão física. Outro ponto relevante é que a lei proíbe as penas pecuniárias (pagamentos de multas ou cestas básicas), tão utilizadas antes da aprovação da mesma", aponta Luciele.

Muito a conquistar

A Lei Maria da Penha é uma política pública de Estado que vem para enfrentar a violência doméstica contra as mulheres brasileiras. É o primeiro passo, pois muitas vítimas ainda têm medo ou receio de denunciar familiares.

Nós, mulheres, podemos dizer que obtivemos muitas conquistas nos últimos tempos, o que nos dá muitos motivos para comemorar o dia 8 de março. Entre tantas conquistas, podemos citar o direito ao voto, a ampliação do acesso ao Ensino Superior, o maior espaço no mercado de trabalho, entre outras.

Além dessas conquistas, gostaria de destacar uma que, a meu ver, é o maior avanço no que diz respeito ao combate do machismo de nossa sociedade, e manifesto da pior forma possível, que é a violência contra a mulher. De acordo com a Fundação Perseu Abramo, nada menos que uma em cada cinco mulheres brasileiras já sofreu algum tipo de violência física, sexual ou outro abuso praticado por um homem.

Trata-se de uma lei recente, sancionada pelo presidente da República no dia 7 de agosto de 2006, que foi batizada de Lei Maria da Penha, como forma de homenagear Maria da Penha Fernandes, símbolo da luta contra a violência familiar e doméstica.

Maria da Penha sofreu duas tentativas de homicídio por parte do ex-marido. Primeiro, levou um tiro enquanto dormia, sendo que o agressor alegou que houve uma tentativa de roubo. Em decorrência do tiro, ficou paraplégica. Como se não bastasse, duas semanas depois de regressar do hospital, ainda durante o período de recuperação, sofreu um segundo atentado: ele tentou eletrocutá-la enquanto tomava banho. A punição do agressor só se deu 19 anos e seis meses após o ocorrido.

Tal situação refletia o antigo ditado “em briga de marido e mulher, ninguém mete a colher”. Ou seja, a autoridade do marido permitia o direito de dispor do corpo, da saúde e até da vida da sua esposa. Tal autoridade foi respeitada até mesmo pela polícia, que sequer podia prender o agressor em flagrante.

A Lei Maria da Penha é uma política pública de Estado que vem para enfrentar a violência doméstica contra as mulheres brasileiras. É o primeiro passo, pois muitas vítimas ainda têm medo ou receio de denunciar familiares. Dois pontos da lei são primordiais, um deles estabelece as formas da violência contra a mulher como física, psicológica, sexual, patrimonial e moral, visto que muitas vezes a agressão psicológica e moral pode causar danos tão graves quanto a agressão física. Outro ponto relevante é que a lei proíbe as penas pecuniárias (pagamentos de multas ou cestas básicas), tão utilizadas antes da aprovação da mesma.

Enfim, tivemos um avanço muito grande no que se refere à igualdade de direitos, de tratamento e de oportunidades entre homens e mulheres. Porém, não devemos parar por aí, temos muito ainda a conquistar. Vamos à luta, mulherada.

* Luciele Alves Fagundes é integrante do Diretório Central de Estudantes da UFSM, gestão.

A UJS NOS MOVIMENTOS JUVENIS

A UJS NOS MOVIMENTOS JUVENIS

Se os movimentos juvenis são de luta, o futuro nos pertence!

Movimento estudantil secundarista e universitário e os seus desafios

90. Em nosso país, o movimento estudantil tem a marca da união e da combatividade. Politizado, tem histórico de participação ativa nas grandes lutas do país, sem nunca esquecer das demandas mais imediatas dos estudantes. De sua pluralidade vem a garantia da participação e da amplitude em suas lutas. Por isso esse movimento é destacadamente a principal forma de luta política da juventude brasileira e a principal frente de atuação da UJS.

91. Não à toa, a UJS é a maior corrente política organizada entre os estudantes brasileiros. Isso é fruto da abnegação da nossa militância na construção dessa frente e, especialmente, da concepção de que o movimento estudantil é de todos os estudantes brasileiros, devendo pautar as grandes questões nacionais sempre ao lado das lutas específicas do cotidiano dos estudantes.

92. No último período, as entidades estudantis cresceram e ganharam maior visibilidade. Junto à Coordenação dos Movimentos Sociais (CMS), tiveram importante papel na conscientização e mobilização da juventude, sendo responsáveis por algumas das grandes jornadas de lutas do nosso país. Além disso, souberam aproveitar o ambiente mais democrático que vivenciamos para pautar e obter vitórias relacionadas a bandeiras de luta históricas dos estudantes.

93. A UBES, por exemplo, participou da aprovação do fundo de desenvolvimento da educação básica (FUNDEB), que amplia significativamente as verbas para a educação. Posicionou-se em relação ao Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), aplaudindo seus avanços e apontando criticamente suas insuficiências. Realizou seu vitorioso 37º Congresso, colocando no seu centro a necessidade de uma Nova Escola com educação de qualidade. Viu a bandeira da valorização do ensino técnico transformar-se em realidade, com a construção de novas escolas técnicas por todo o país. Além disso, a UBES foi a entidade do passe estudantil, colocando milhares de estudantes nas ruas para brigar por essa bandeira.

94. A UNE segue esse mesmo rumo e amplia seu prestígio na sociedade. Aproveitando a mobilização realizada para sua 5ª Bienal de Cultura, os estudantes ocuparam e ganharam na Justiça a posse do terreno da Praia do Flamengo (Rio de Janeiro), sede histórica da UNE e da UBES até a ditadura militar incendiar o prédio e tomar o terreno. O processo de ocupação gerou grande repercussão e ganhou amplos setores da sociedade para o direito de as entidades reconstruírem sua sede ali. O ano de 2007 foi marcado também pela realização do 50º Congresso da UNE, nos marcos da reforma do movimento estudantil, possibilitando um envolvimento incomparável dos estudantes ao longo de todo o processo. Uma grande passeata em Brasília durante o Congresso exigiu mudanças na política econômica do governo Lula e mostrou que os estudantes continuam unidos e atentos às grandes lutas nacionais. Além disso, a UNE comemorou a criação de novas universidades públicas e a expansão do ProUni, e disputou nos conselhos universitários a aprovação do Reuni, programa que expande as vagas das universidades federais – demanda histórica dos estudantes.

95. Apesar dessas e de outras importantes conquistas do movimento estudantil, os desafios para o próximo período são muitos. A dimensão que tem esse movimento requer uma constante auto-superação, para não perder suas características.

96. Fortalecer a rede do movimento estudantil é parte desse desafio. Precisamos dar maior identidade para as entidades estaduais e suas redes. O movimento universitário precisa de UEEs e DCEs mais presentes na política de cada estado, próximos do cotidiano dos estudantes. No movimento secundarista a dificuldade aumenta, pois existe uma lacuna maior entre a UBES e os grêmios, o que tem colocado um grande desafio, relacionado à radical reestruturação desse movimento. Na tentativa de dar resposta a isso, a UBES propôs o fortalecimento, a criação e a reconstrução das Uniões Municipais, a realização de encontros de grêmios, no sentido de conectar as lutas das escolas com as lutas nacionais e vice-versa.

97. Outra questão importante é radicalizar no caráter combativo do movimento estudantil. Travar lutas nas escolas e universidades que dialoguem com o cotidiano dos estudantes brasileiros tem papel decisivo. O centro de ação do movimento estudantil deve ser a própria escola ou a universidade. O movimento deve refletir as dificuldades de cada lugar, pautando as questões mais específicas que tocam os estudantes no seu dia-a-dia.

98. A diversificação da atuação das entidades é outro assunto no qual precisamos pensar com mais atenção. Áreas como o esporte, que mobilizam grande parte da juventude estudantil, precisam sair do discurso e ir para a prática.

99. Precisamos enfrentar as dificuldades financeiras das entidades, que sentem hoje os efeitos da Medida Provisória 2208, editada no governo FHC. A militância da UJS que tem tarefa no movimento estudantil precisa encarar com toda seriedade e profissionalismo a organização e a administração das entidades. Devemos dar importância ao que dizem os Estatutos e sempre buscar registrar legalmente as entidades.

100. As recentes conquistas do movimento estudantil são fruto do amadurecimento das forças que participam das entidades, mas principalmente da atuação constante da UJS. Contribuímos ao longo da história para a manutenção da unidade e para a construção da pluralidade no movimento.

101. A UJS é hoje a maior força política organizada entre os estudantes, mas devemos saber que o movimento estudantil é muito dinâmico. Por isso é necessário investir desde os grêmios e Centros Acadêmicos para fortalecer o movimento e crescer permanentemente para manter nossa influência.

102. Os últimos anos do movimento secundarista nos mostraram que é preciso reequilibrar as forças que despendemos entre os movimentos secundarista e universitário. É preciso dar mais atenção a quem necessita de maior acompanhamento, como é o caso, hoje, do movimento secundarista. Isso não pode significar, no entanto, um rebaixamento da atenção conferida ao movimento universitário. Para materializar isso, propomos que as instâncias de direção possam dividir o acompanhamento, havendo um diretor responsável pelo movimento secundarista e outro diretor responsável pelo movimento universitário. Ambos atuarão juntos, pensando as políticas para os movimentos estudantis. Os estados devem respeitar suas particularidades ao implementar tal medida, resguardando que sua aplicação seja feita apenas em benefício e melhoria do acompanhamento e nunca signifique a depreciação política deste, que seja para os secundaristas ou para os universitários. Além dessa medida, devemos pensar em outras formas de materializar o reequilíbrio. Demos um primeiro passo com a realização, em janeiro de 2008, do Seminário sobre o Movimento Secundarista. Mas é preciso, ainda, exercitar uma maior interação com as demais frentes da UJS e intensificar a transversalidade, pois na escola e na universidade encontram-se quase todas as frentes, podendo uma potencializar a outra. Exemplo disso é a interação da UJS secundarista com o movimento hip hop, o esporte e a luta pela educação sexual nas escolas, com pontes para os movimentos feminista e o combate à homofobia.

103. Como frentes prioritárias de atuação da UJS, o movimento estudantil secundarista e o movimento estudantil universitário devem dar o exemplo dessa nova fase, mais diversificada, de nossa organização. Devemos aplicar a proposta de autonomia organizativa de nossa atuação nos movimentos estudantis já na construção do 14º Congresso, apresentando um plano específico de crescimento, com metas de filiação e organização de Núcleos, tudo em plena sintonia com a nossa atuação nas entidades estudantis. A UJS é fundamental para impulsionar a UNE e UBES na renovação, inovação e massificação dos métodos de dialogar com os estudantes brasileiros. Além disso, precisamos ter uma atuação mais diversificada nos Grêmios, Uniões Municipais de Estudantes Secundaristas, Centros Acadêmicos, Diretórios Acadêmicos e Diretórios Centrais de Estudantes.

104. Devemos organizar mais e melhor nossa intervenção através dos Núcleos, especialmente os prioritários, que devem existir em grandes universidades, nos CEFETs e nas demais escolas grandes e tradicionais, além dos principais colégios das periferias e regiões que cumprem importante papel nesses locais. Só assim conseguiremos converter nossa grande influência política em crescimento orgânico para a UJS.

105. A UJS deve intensificar sua atuação nas executivas de cursos, designando responsáveis pelo acompanhamento da área, assim como organizando debates que ajudem em nossa formulação política para a realidade de cada curso. Também importante é a UJS debater e formular uma opinião sobre ensino à distância, devido o seu grande avanço no setor educacional brasileiro.

106. Outro desafio está ligado à idéia de estabelecer o espaço da escola e da universidade enquanto centros gravitacionais do movimento estudantil. Parece muito lógico – e é –, mas às vezes tornamos as sedes das entidades gerais o nosso principal espaço. Nesses casos, precisamos inverter a lógica: a militância do movimento estudantil precisa estar concentrada nas escolas e universidades, e os dirigentes das entidades gerais devem conviver em essa militância, acompanhando a construção das entidades de base e nosso trabalho nesses espaços.

Jovens trabalhadores

107. Na década de 1990, a grande ofensiva do projeto neoliberal em todo o mundo gerou um enorme exército de desempregados e de pessoas sem perspectivas de trabalho e de vida. Essa investida do grande capital trouxe conseqüências para pessoas de todas as faixas etárias, mas foram os jovens os que mais sofreram as perversas conseqüências desse processo, seja através da precarização das relações de trabalho e dos salários reduzidos, seja no plano ideológico, onde prevaleceu (e ainda prevalece) o individualismo.

108. Implementar a organização da UJS entre os trabalhadores é fundamental para completar a nossa consolidação e caráter socialista, pela dimensão estratégica de formar a classe trabalhadora do presente e do futuro e para construir o Socialismo. Ademais superará uma grande lacuna de nossa organização, permitindo ao jovem militante socialista completar todo o ciclo de sua juventude na UJS, da escola secundarista até o ingresso pelo trabalho na vida adulta. mantendo as convicções revolucionárias e legando ao movimento sindical uma nova geração de quadros para a luta sindical atual, dando seguimento à luta na vida adulta e completando o ciclo etário da nossa escola de Socialismo.

109. A Atuação da frente de jovens trabalhadores é expressão da luta contra a dominação e a exploração capitalista que são sentidas pelo trabalhador na própria pele. A juventude é grande parcela dos trabalhadores e sofre cotidianamente com trabalhos degradantes, com a precariedade e a negação de seus direitos, com o assédio moral e sexual. Estes jovens são público privilegiado para a mensagem socialista. Assim, ganha importância ainda maior nesta nova fase da UJS e do movimento sindical, sobretudo com a fundação da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e da Juventude da CTB. Uma juventude atuante, com sua característica básica de ousadia e inovação, pode servir de mola propulsora para importantes transformações na organização sindical. Também não podemos desconsiderar que a juventude representa um importante vetor da disputa pela hegemonia das idéias avançadas no movimento sindical brasileiro. É, portanto, papel dessa frente ajudar a forjar nas futuras lideranças uma consciência política avançada e classista.

110. A atuação da UJS entre os jovens trabalhadores vem crescendo significativamente e tem se dado a partir da Corrente Sindical Classista (CSC). A UJS deve ter atenção para construir espaços amigáveis à organização de jovens trabalhadores, com horários, dinâmicas, responsáveis permanentes para a consolidação da frente, desenvolvendo uma dinâmica de atividades (inclusive esportivas e culturais) e linguagem que permitam a sua incorporação na UJS. Essa frente ganha um peso e uma importância ainda maiores a partir da entrada da CSC na nova CTB. A UJS é parte do desafio de construir uma nova central classista e democrática, efetivamente de todos os trabalhadores e trabalhadoras, do campo e da cidade. A juventude tem uma importante contribuição a dar nesse sentido, já que representa a presente e também a futura geração do sindicalismo brasileiro.

111. A cada ano temos ampliado nossa participação na frente de jovens trabalhadores. No início de 2007 nos destacamos no 2º Encontro de Juventude da Central Única dos Trabalhadores (CUT), onde conseguimos aumentar muito nossa bancada em relação à primeira edição do Encontro, chegando mesmo a ser maioria em vários estados do país. Ainda assim, perdemos a vaga que tínhamos na secretaria de juventude da CUT.

112. Um marco importante de nosso trabalho nessa área foi o Encontro de Jovens da Corrente Sindical Classista (CSC), ocorrido durante o congresso dessa entidade em setembro de 2007, que definiu pela saída da CUT e aprovou seu ingresso na nascente CTB. No final do mesmo ano, a UJS teve destacada presença no Congresso de fundação da CTB, no qual foi aprovada a realização do primeiro Encontro da Juventude da CTB.

113. Vale salientar também a participação dos jovens trabalhadores socialistas nas atividades dos movimentos sociais, inclusive internacionais, como as Cúpulas Sociais dos Povos e o Fórum Social Mundial, dentre outros encontros.

Desafios da UJS entre os jovens trabalhadores

114. A maioria dos jovens que ingressam no mercado de trabalho não se identifica com a linguagem de sua organização sindical ou não vê nela um órgão onde possam expressar suas idéias ou lutar por suas bandeiras. Nos sindicatos, os jovens não se fazem representar na mesma proporcionalidade em que estão na categoria e acabam cumprindo o papel de coadjuvantes no sindicato e na sua direção. As políticas voltadas à juventude devem estar presentes nos sindicatos, nas ações, na militância, na direção e na linguagem. Os sindicatos devem lutar de forma mais juvenil, com o jovem e pelo jovem.

115. A tarefa da UJS é atuar na Juventude da CTB para identificar e incorporar as pautas específicas da juventude e torná-las parte das lutas sindicais, além de construir Secretarias e Comissões de Juventude dentro das estruturas da CTB e dos sindicatos.

116. Além disso, a UJS precisa atuar não apenas entre os jovens trabalhadores que possuem carteira assinada, mas também entre os jovens que se encontram na informalidade e entre os jovens desempregados. Da mesma forma, é nossa tarefa estimular a Juventude da CTB a organizar os jovens desempregados e a expressiva parcela de jovens trabalhadores informais em associações, ampliando assim o raio de alcance dos sindicatos e das idéias classistas – sem perder de vista que a luta dos trabalhadores tem nos sindicatos sua expressão de massas mais elevada.

117. Outro desafio importante é atuar junto à juventude rural, nas Federações e na Confederação Nacional dos Trabalhadores da Agricultura (Fetags e Contag). A juventude rural possui bandeiras específicas, como o acesso à educação, à terra e às novas tecnologias rurais, o êxodo rural, a informalidade, dentre outras. A CTB nasce com forte presença no sindicalismo rural, o que devemos aproveitar para traduzir em crescimento da UJS e fortalecimento da luta dos jovens do campo.

118. Precisamos aproveitar o nascimento da CTB e da Juventude da CTB para dar um novo trato à nossa atuação entre a juventude trabalhadora do campo e da cidade. Nesse sentido, as Direções Estaduais devem eleger um diretor para essa frente. Além disso, a UJS deve estar atenta e priorizar sua atuação nas escolas técnicas e nos grandes pólos industriais do nosso país. É prioridade pautar cotidianamente no conjunto das direções da UJS – municipais, estaduais e nacional – a atuação e o acompanhamento dos jovens trabalhadores. Da mesma forma, é importante mapear junto ao Coletivo nacional dessa área quais serão os Núcleos prioritários por categoria e por local de trabalho, impulsionando nossa ação de forma organizada.

terça-feira, 17 de março de 2009

Komsomol - Juventude da revolução

Komsomol - Juventude da revolução

O Komsomol ou Comsomol (em russo, Комсомол) era a organização juvenil do Partido Comunista da União Soviética (PCUS). O nome é uma contração de Kommunisticheskiy Soyuz Molodiozhi (Коммунистический союз молодёжи) ou União da Juventude Comunista. Criada em 29 de outubro de 1918, mudou de nome em 1922 para Liga Comunista Leninista da Juventude de Toda a União.

A filiação ao Komsomol era permitida a partir dos 14 anos, até o limite de 28 anos de idade. Mesmo assim, os funcionários da organização deveriam ser antigos militantes, sendo portanto mais velhos que os membros regulares. Para os menores de 14 anos, existia o Movimento dos Pioneiros. No plano internacional, o Komsomol era o miembro mais importante da Federação Mundial da Juventude Democrática (FMJD). Na época de seu auge, dos anos 1970 ao início dos 80s, o Komsomol tinha mais de 40 milhões de afiliados. Hoje, estima-se que cerca de dois terços da população adulta atual da Federação Russa pertenceu à entidade em algum momento.

Ainda que a influência exercida pelo Komsomol sobre o Partido Comunista fosse limitada, a organização tinha um papel importante ao introduzir a juventude nos princípios e valores do PCUS, funcionando como uma porta de acesso à política soviética. Os membros mais ativos recebiam prêmios e privilégios: por exemplo, Iúri Andropov, secretário-geral do PCUS logo após a morte de Leonid Brejnev, começou sua carreira política na secção do Komsomol na Carélia.

As reformas promovidas por Mikhail Gorbachev, a perestroika e a glasnost, alteraram o papel do Komsomol, que havia crescido ao amparo da ordem política e social do Partido Comunista. Nessa época, setores reacionários começaram a alegar que a entidade não representava os interesses da juventude. No XX Congresso do Komsomol, os estatutos da organização foram totalmente alterarados para refletir a orientação reformista a favor de uma economia de mercado. Na prática, as reformas do XX Congresso destruíram o Komsomol, que acabou se fragmentando e perdendo de vista seus objetivos, o interesse de seus membros e os filiados em geral.

Durante as primeiras etapas da perestroika, com a introdução paulatina de empresas privadas, o Komsomol teve prioridade para abrir empresas sob pretexto de que a medida incentivaria a juventude e lhe daria a possibilidade de ter "um futuro melhor". Ao mesmo tempo, muitos dirigentes começaram a fazer campanha pela quebra do monopólito estatal sobre setores estratégicos, o princípio que fora o pilar da economia planificada centralizada da União Soviética e outros estados socialistas. Como resultado, grande parte da nova oligarquia russa pós-1991 foi formada com antigos quadros do Komsomol, como o magnata Mikhail Khodorkovski. Ironicamente, passou-se a dizer que "o Komsomol é uma escola de capitalismo", parodiando a frase de Lenin "os sindicatos são uma escola de comunismo".

O jornal oficial do Komsomol, o Komsomolskaia Pravda, sobreviveu à entidade e existe até hoje.
O jornal foi fundado originalmente como órgão oficial do Komsomol, a Juventude Comunista da URSS. Com o fim da entidade, em 1991, o Komsomolskaia Pravda continuou a circular como veículo independente e manteve a linha editorial comunista, embora reformada.
O link do jornal - www.kp.ru

PS: A Komsomol (Kommunisticheskiy Soyuz Molodiozhi) juventude comunista da URSS, comemorou os 90 anos no último dia 29 de Outubro

Fonte: Um blog comunista de Portugal

FMJD celebra 63 anos de lutas por um mundo melhor

FMJD celebra 63 anos de lutas por um mundo melhor

A Federação Mundial das Juventudes Democráticas (FMJD), organização constituída para trabalhar pela paz, pela liberdade, pela democracia, pela independência e pela igualdade em qualquer parte do mundo e para proteger os direitos e os interesses da juventude, completa seu 63º aniversário.

Atualmente a UJS, entidade a qual sou filiado a 10 anos, é vice-presidente para América Latina da FMJD e, através desta ação, busca contribuir na luta por um mundo melhor, livre da opressão e da violência imposta aos povos pelo imperialismo.

“A FMJD é um instrumento de mobilização das juventudes de todo o mundo pela paz e contra o imperialismo. Ela chega aos 63 anos cheia de vitalidade para lutar por um mundo de esperança e boas perspectivas para a juventude”, diz Titi Alvarez, diretora de Solidariedade Internacional da UJS.

Federação Mundial da Juventude Democrática

Federação Mundial da Juventude Democrática

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

A Federação Mundial da Juventude Democrática (FMJD) é uma organização juvenil internacional reconhecida pela Organização das Nações Unidas (ONU) como uma ONG da juventude mundial. A entidade foi fundada em 1945, em Londres, no encerramento da Conferência Mundial da Juventude, como un amplo movimento internacional da juventude após o fim da Segunda Guerra Mundial. Não obstante, nem bem começou a chamada Guerra Fria, praticamente todas as organizações de países capitalistas se retiraram da FMJD por causa de sua associação com partidos comunistas e socialistas alinhados com a União Soviética.

Quando o Pacto de Varsóvia e a URSS foram desintegrados, entre 1989 e 1992, a FMJD entrou em crise. Surgiram então discussões e conflitos internos sobre o caráter da entidade por causa do vazio de poder criado pelo desmanche de seu membro mais importante, o Komsomol soviético. Alguns defenderam uma estrutura apolítica, enquanto outros se mostravam a favor de uma posição abertamente de esquerda. A FMJD pôde assim sobreviver à crise e atualmente é uma entidade juvenil ativa que realiza atividades regulares.

A sede da organização fica na capital da Hungria, Budapeste. O principal evento organizado pela FMJD é o Festival Mundial da Juventude e Estudantes; a última edição do evento aconteceu na Venezuela em 2005 e contou com milhares de participantes de todo o mundo.

Todos os anos o 8 de março é comemoração e principalmente organização e luta das mulheres em todo o mundo - por Ana Pimentel

Todos os anos o 8 de março é comemoração e principalmente organização e luta das mulheres em todo o mundo - por Ana Pimentel

Todos os anos o 8 de março é comemoração e principalmente organização e luta das mulheres em todo o mundo - por Ana Pimentel

O 8 de março é fruto da mobilização de operárias no início do século passado. Sua principal referência histórica é a II Conferência Internacional das Mulheres Socialistas em 1910 em Copenhague, na Dinamarca. Clara Zetkin propôs uma resolução de instaurar oficialmente um Dia Internacional das Mulheres. Nessa resolução, não existia alusão ao dia 8 de março. Em 1921, durante a Conferência Internacional das Mulheres Comunistas, "uma camarada búlgara propõe o 8 de março como data oficial do dia internacional da mulher", lembrando as operárias russas que deram início as mobilizações da Revolução de 1917 nessa data. A partir de 1922, o Dia Internacional da Mulher é celebrado oficialmente no dia 8 de março.

Hoje, existe uma concepção que anuncia a "chegada da mulher ao seu lugar". Os mais pessimistas proclamam ser "questão de tempo" a definitiva igualdade entre homens e mulheres. O 8 de março é "comemorado" com promoções nas lojas, distribuição de brindes e muitas, muitas flores e chocolates. Tal abordagem reforça a importância de utilizarmos todos nossos instrumentos para dar visibilidade ao real significado do 8 de março. Por todos os lados propala-se a data como uma consagração dos esteriótipos relacionados a "feminilidade". Tal palavra representa o "ideal" a que toda mulher deve percorrer e está relacionado a um protótipo estético e de comportamento, ambos intrinsecamente submetidos a um padrão de consumo. Em síntese, as mulheres "de verdade" devem corresponder ao padrão de beleza e comportamento que também é o sinônimo de saúde. Nesse ponto de vista, o consumo é o instrumento para a construção da identidade "feminina" e realização pessoal. Esses modelos e valores são introjetados, passam a constituir o padrão aspiracional construindo a subjetividade, causando grande ansiedade. São raras as mulheres que correspondem a esse padrão. O resultado desse modelo é o aumento dos transtornos psiquiátricos tendo a medicalização excessiva como resposta.

A construção desse esteriótipo funda-se na idéia de que há uma divisão daquilo que se refere as mulheres e aos homens na nossa sociedade. Ser "feminino" e "masculino" está relacionado a determinados tipos de vivências e responsabilidades. Baseia-se na noção de quê existe uma esfera privada e uma esfera pública, cada uma sob uma determinada responsabilidade . Assim, a esfera pública - trabalho produtivo, dos direitos, da igualdade - considerada responsabilidade dos homens. A esfera privada, que é considerada o local do afeto, da intimidade, do lar - responsabilidade das mulheres. A partir daí organiza aspectos sociais, vivências particulares, símbolos, representações que sustentam essa opressão. Nessa visão, o cuidado e reprodução são vistos como atividades das mulheres. Associado a isso, a noção de que à mulher está destinada a maternidade. Naturaliza, assim, as relações sociais omitindo-se os custos do cuidado e da reprodução e legitimando a desigualdade existente entre homens e mulheres.

O feminismo vem afirmar que essa divisão é construída socialmente. Incorpora, logo, ao debate político, questões consideradas privadas, como a sexualidade; a denúncia da violência contra a mulher existente, inclusive, na vida familiar; discriminação da mulher no mundo do trabalho; a exclusão das mulheres dos espaços de poder; além do papel da mulher como única responsável pelo cuidado e reprodução da sociedade; a falta de autonomia das mulheres sobre suas vidas e seus corpos. Vem afirmar que o cuidado e a reprodução são fundamentais para nossa sociedade e devem ser responsabilidade de todas e todos com garantia de políticas públicas efetivas. Para tanto, é fundamental que o Estado assuma sua responsabilidade por garantir políticas públicas que revertam a lógica do cuidado como destino natural das mulheres. A construção de creches, lavanderias e restaurantes públicos são instrumentos absolutamente necessários para a construção da autonomia das mulheres.

Vivenciamos hoje uma crise que é resultado de um modelo baseado na superexploração do trabalho e especulação financeira. No momento de crise, as demissões e retirada de direitos transferem uma maior parcela de responsabilidade do cuidado, reprodução para o espaço privado atingindo diretamente as mulheres. Nós, mulheres, não vamos pagar por essa crise, propomos as seguintes medidas, para impedir seu aprofundamento: a ampliação dos programas de transferência de renda; aumento da disponibilidade de crédito; ampliação de recursos públicos para educação e saúde universais; democratização do orçamento público através do orçamento participativo; valorização do salário mínimo.

A opressão das mulheres é uma realidade estruturante das relações desiguais historicamente constituídas. Nossa ação política é orientada para a construção de uma sociedade sem opressão e exploração econômica, superando as diversas formas de discriminação e desigualdades sociais.

Em todos os Estados do Brasil a UNE se somará ao movimento de mulheres na organização de seminários, mostra de cinema, vídeos, teatro, palestras, oficinas e atos relembrando a história e atualizando a agenda feminista. Participe dessa agenda você também!

Quando o aborto é mais grave que o estupro

Quando o aborto é mais grave que o estupro

Escandalizou o país a história da gravidez de uma criança de nove anos, que desde os seis era molestada pelo padrasto. A atitude abominável do homem não recebeu, no entanto, condenação tão grave da Igreja Católica quanto a interrupção da gravidez fruto da violência. Prova disso foi a excomunhão da mãe da garota e dos médicos que realizaram o aborto. Segundo a concepção reacionária do arcebispo de Olinda e Recife, eles teriam cometido "delito mais grave".

Leia o artigo do blog "Janela Sobre a Palavra", da jornalista e ex-presidente da UJS-SP Renata Mielli, que trata sobre o tema.

Quando o aborto é mais grave que o estupro

“O padrasto cometeu um delito gravíssimo, mas tal delito (o estupro), de acordo com o Direito Canônico, não é passível de excomunhão automática. O aborto é mais grave ainda”

D. José Cardoso Sobrinho, arcebispo de Olinda e Recife.

O caso está na boca do povo, em todos os meios de comunicação e chocou o mundo pela monstruosidade cometida contra uma criança de apenas 9 anos e pela postura que a Igreja Católica tomou diante do fato.

A criança – que fora estuprada pelo padrasto desde os 6 anos de idade, conforme o mesmo confessou após a descoberta de que a menina estava grávida de gêmeos – foi submetida à interrupção da gravidez. O procedimento realizado na menina está entre os permitidos pela legislação que trata do tema, já que no Brasil, o aborto é legal em casos de estupro e risco de morte para a mãe.

Diante da Sagrada Igreja, os pecadores dessa história são a mãe e os médicos. Eles, que promoveram a morte de um ser humano, mereceram a excomunhão da Igreja. O pai cometeu um delito. E a menina? Essa ‘alma’ perante a Igreja tem valor menor, não importa o que já se passou com ela e o que poderia se passar caso se mantivesse a gravidez.

A sociedade brasileira não pode mais se calar diante da hipocrisia de uma instituição caduca e irresponsável como a Igreja Católica. A declaração do arcebispo de Olinda e Recife é um desrespeito às mulheres, às crianças e pior, é uma palavra de incentivo aos criminosos, aos estupradores.

Como uma pessoa pode dizer que o aborto é algo mais grave que o estupro, qualquer estupro que seja, nesse caso, mais grave porque foi feito contra uma criança indefesa? Que perversidade representa essa Igreja, uma instituição machista, que mandava às mulheres para a fogueira, pelo simples fato de serem mulheres independentes em seus tempos?

Onde estão os defensores da vida nesse momento? Aqueles que querem promover uma nova Inquisição, uma nova caça às bruxas contra as mulheres que exercem o legítimo direito de decidir sobre suas vidas e seus corpos? Os que querem comandar uma CPI do aborto na Câmara dos Deputados para condenar as mulheres? Eles estão de que lado nesse caso? Do lado do estuprador? E a vida da menina de 9 anos, não importa?

É o triste resgate do famigerado bordão “Estupra mas não mata”.

O Brasil e a sociedade brasileira não podem mais estar coniventes com esse tipo de postura. É hora de tratarmos dessa questão como um problema social e não religioso, uma questão de saúde pública, de dever do Estado em dar assistência médica às mulheres que tomarem a difícil decisão de interromper uma gravidez.

Quanto a excomunhão, sentimo-nos - todos os que lutam pelos direitos das mulheres -, excomungados com muito orgulho.

Renata Mielli é jornalista do portal Vermelho. Foi presidente da UJS-SP e membro da diretoria executiva da UNE (97-99).

http://renatamielli.blogspot.com/

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

UJS: juventude sergipana participa de curso de formação

UJS: juventude sergipana participa de curso de formação

“É importante que a juventude tome para si o destino do nosso País, que sintam que eles são construtores desse processo histórico que nós estamos vivendo”. A afirmação é da deputada estadual e presidente do Comitê Municipal do PCdoB, Tânia Soares (SE), referindo-se a dezenas de jovens liderados pela União da Juventude Socialista, que participam de um curso sobre política em Aracaju.

Tânia Soares, que em 1984 foi uma das fundadoras da União da Juventude Socialista (UJS), junto com Aldo Rebelo, afirmou que o evento “é de muita felicidade, porque são dezenas de jovens do interior do Estado e capital reunidos dia e noite para discutir política, a situação da crise mundial, em Sergipe e nos municípios”. Os jovens têm entre 15 e 29 anos – idade máxima de filiação as UJS - que é maior da América Latina dedicada à política.

A deputada lembrou que “nossa história está ponteada pela participação da juventude, seja com a participação do poeta Castro Alves na Abolição da Escravatura, seja com Zumbi dos Palmares. Seja com todas as transformações que o Brasil passou, em diversos momentos históricos, como Diretas Já, Fora Collor e, agora, com a eleição de Lula”. Na concepção de Tânia, ver dezenas de jovens reunidos, pensando, elaborando e realizando um evento como esse, organizado por eles, “é um motivo de muita felicidade e alegria”.

Ela lembrou ainda um trecho da mensagem do governador Marcelo Déda, lida na segunda-feira na reabertura dos trabalhos legislativos, pelo secretário da Casa Civil, Oliveira Júnior, onde dom Helder Câmara é lembrado. “Os problemas que nos aparecem são encarados como desafio e como desafio é que nós devemos enfrentá-los”. “Tânia acrescentou que diante do mundo capitalista, precisamos incentivar a juventude a fazer eventos como esse, que a noção de sociedade, pátria e humanidade possam ser um sentimento impingindo nela”.

A parlamentar foi uma das palestrantes que discorreu sobre a crise mundial e as perspectivas para o Brasil e Sergipe.

Com informações do Jornal da Cidade

segunda-feira, 7 de abril de 2008

A importância de apresentar a UJS para milhares de jovens

A importância de apresentar a UJS para milhares de jovens

Um período muito importante na consolidação da minha militância e da passagem à direção estadual da UJS na primeira metade dos anos 90. Foi o período das reuniões na Rua 24 de Maio, no Centro de Fortaleza, sede do Sindicato dos Bancários. Era um lugar público e amplo, de fácil localização, neutro, muito bom para fazer as reuniões. Na frente, a gente se encontrava e ficava trocando idéia, esperando chegar todo mundo para começar.

Por anos aquele endereço foi o nosso ponto de encontro aos sábados, às três da tarde. Você queria encontrar a UJS, procurasse lá, estávamos reunidos. Esta estabilidade em reunir coincidiu com a chegada da turma do pós Fora Collor. Era o surgimento de uma nova geração de dirigentes.

Nesta época, primeira metade dos anos 90, em Fortaleza, a UJS era ainda exclusivamente secundarista. E era muito interessante quando chegava aquela moçada de diferentes escolas e bairros a que tínhamos chegado. Recordo o sorriso e o orgulho no rosto do Francisco, liderança imbatível do Valter Sá Cavalcante, uma escola bem distante, na Cidade dos Funcionários cujo nome homenageia uma liderança estudantil de peso, diretor da UNE. Este orgulho tinha a ver com a certeza de que éramos capazes de mobilizar centenas de outros jovens: parar o Centro de Fortaleza - já o fizéramos. Esta identidade mobilizadora, de luta, é uma característica muito importante na UJS.

A sociabilidade da juventude que ingressa na UJS

Naqueles momentos construíamos laços de amizade e convivência. Eram muitas as minhas horas de militante secundarista. Ia pra escola de manhã e só voltava à noite. Este ainda é o pique daquela moçada da UJS que vai as escolas. A luta concreta é uma grande escola. Em Fortaleza a UJS se organizava em zonais, formal ou informalmente. As lideranças viviam os bairros de suas escolas, inclusive no Centro. Meu irmão, Roberto, por exemplo, organizou a UJS na Barra do Ceará, estudante do Hilza Diogo. De sua ação surgiram várias novas lideranças, muitas delas vindas de famílias pobres. E daí surgiram alguns diretores da UBES, de um ambiente onde o movimento pulsava.

É muito comum, num determinado Bairro, como na Barra do Ceará, haver várias escolas próximas, um potencial incrível de mobilização estudantil. Em torno da escola com mais filiados se encontravam estudantes de todo o Bairro. A ampla maioria dos jovens com quem nos relacionávamos, aquelas centenas que iam às mobilizações, a maioria não era da UJS e havia diferentes níveis de apoio. Esta soma era a medida da nossa liderança nas escolas. Cada escola tinha a sua dinâmica, a sua política interna, os seus personagens. Era um movimento amplo, pois se dirigia aos estudantes e à comunidade que é a escola. É o que ocorre também em cursos e em várias faculdades, que têm esta força de gravidade, que encarnam um universo político e humano muito rico.

Tudo isto desaguava na reunião de sábado. Era lá que sabíamos o que estava rolando na UJS e no Brasil. É desse período que me recordo das ladainhas, o início das reuniões, dirigida às pessoas que não eram da UJS, trazidas por outro militante. A ladainha era o nosso ponto de conjuntura de então, a recepção às pessoas novas, as boas vindas, ela situava todos os presentes no sentido da UJS.

E tiramos lições das nossas ações quando as coordenamos. É quando reunimos que coletivamente identificamos a "liga", o fio condutor do que fazemos. Minha opinião é uma direção da UJS está mais consolidada na medida em que conseguir estabelecer um funcionamento próprio, que crie um ambiente de convivência entre jovens de diversos lugares que se reconhece na ação porque toda esta experiência coletiva tem na UJS o seu lugar de encontro. É quando estamos juntos que a UJS fica mais bonita e ela é vanguarda por sua capacidade de unir a juventude por causas amplas, fator decisivo da UJS enquanto espaços de formação de lideranças.

Isto necessita de uma continuidade, da sistematização da nossa prática. E era isto que fazíamos, lançávamos um olhar consciente sobre o que estávamos a construir. Naquelas reuniões eu aprendi que é decisivo haver uma galera que chame a si a responsabilidade de lutar pelos direitos da juventude, que tenha raiva de injustiças, que é patriota e animada, que adora curtir e viver sua juventude. Era um compromisso, mas era legal ir - uma boa definição da UJS. E eu sentia falta de rever as pessoas. Fazer tanta coisa nos coloca muito próximos, convivendo por horas, dias, meses, anos.

E esta relação entre jovens tem mais qualidade se em lugares fixos, com dia e hora dedicados ao reencontro da nossa moçada. Eu lembro que estes sábados à tarde eram parte constante da minha agenda. Reunir no sindicato dos Bancários todo sábado às três da tarde foi fundamental para consolidar aquela moçada na UJS. Nós tivemos que formatar um funcionamento próprio, e definíamos como nos mover em todo um circuito político, formado pelos lugares por onde circulávamos e fazíamos o movimento, mas também por bares, festas, bairros, salas de aula, pátios de escolas, um ambiente onde desenvolvemos práticas, um aprendizado coletivo.

Mais à frente, quando retomamos a direção do DCE da UFC – depois de um intervalo de mais de dez anos – entendi melhor que aquele resultado foi o cume de um aprendizado cuja sala de aula mais importante fora naquelas reuniões, onde pudemos pensar a UJS por inúmeras tardes. Mas não era em tom de humor que repetíamos o relato daquilo que somos, da História, do presente da UJS. Naquela hora, ao iniciar a reunião, um membro da direção tomava a palavra e apresentava aos mais novos e dos militantes uma História da UJS. Lembro de quando o Flávio Arruda fazia as ladainhas até hoje. Era um aprendizado de falar ao público, de defender nossas idéias, de afirmar valores. Para quem chega, por outro lado, era uma sensação muito boa, uma valorização da importância daquela pessoa convidada a ingressar na UJS. Para quem falava era um comprometimento e um exercício do domínio de nossa política.

Coletivizar o mais importante

E era repetitivo mesmo, e cumpria um grande papel. O Legião Urbana consagrou uma frase: "Sei que às vezes uso palavras repetidas, mas quais são as palavras que nunca são ditas?". Apóio-me nela ao defender a massificação de nossos conceitos mais simples, as nossas opiniões mais permanentes, como o Manifesto da UJS, nossa concepção de Movimento Estudantil, nossa História, inclusive da UJS nos Estados, os pontos centrais do Congresso. Claro que é muito importante saber muito, mas é decisivo que todos saibam quem somos, como pensamos, pelo que lutamos, nosso papel no Brasil. E passar este conhecimento no debate do Congresso da UJS, na discussão da tese permite que outros milhares de jovens ajudem a escrever a história de nossa organização, porque lhes dá a base para serem ativos militantes na base, para vestir a camisa.

Penso que boa parte da consolidação de uma direção municipal, de um núcleo, e mesmo de uma direção estadual está em definir com o apoio de todos uma agenda, um funcionamento, criar uma dinâmica própria, que permita debater as polêmicas, construir os consensos, passar o saber militante aos mais novos, preparar um ambiente legal para centenas de jovens viverem sua opção militante. Que seja aberto para o ingresso de mais jovens do povo, capaz de atrair as lideranças naturais que existem e lhes dar um espaço de convivência divertido, produtivo, ordenado por nós mesmos, capaz de potencializar suas melhores qualidades e liderança. E um ambiente politizado, em que cada jovem participa de algo muito maior que apenas um grupo de amigos. E eu tenho amigos de quinze anos que fiz na UJS e eu os encontre entre jovens com grande potencial que mudam a realidade com seu protagonismo, uma galera rebelde, tão rebelde que defende um socialismo com a cara do Brasil e da Juventude, com samba, maracatu, com boi, hip hop e reizado.

A UJS está definindo sua ação nos Estados

Por todo o Brasil a UJS prepara as suas plenárias para lançar o 14º. Congresso. A partir delas haverá o acionar de uma grande estruturação que consolidará núcleos e direções que terão a tarefa de falar a muitos milhares de jovens, no convite para conhecer a UJS. Será um semestre em que muitos jovens sentirão o chamado a uma militância mais ativa, maiores responsabilidades.

Este riquíssimo momento merece táticas apropriadas, formas de falar com esta juventude. Um desafio já é falar a dezenas de milhares que já são filiados. E, para além deles, em busca de dialogar com amplas parcelas da juventude, muita gente independente nas escolas, no trabalho, nas universidades, na periferia e também em movimentos juvenis. É grande o número de adolescentes que já entendem a importância das causas, de ser voluntário, mas sem saber ainda que a militância, este voluntariado político, muda a realidade, que foi graças a eles que muitos jovens tiveram oportunidade no último período. Para que entendam isto, precisam ter a oportunidade de nos ouvir. A responsabilidade de pensar estes momentos e de criar estas oportunidades é nossa.

Envolver, convidar e saber se apresentar é fundamental para que amplas parcelas da juventude possam tomar parte na mudança do Brasil. Trata-se de envolver o povo na luta pela mudança. Para isto é necessário ter uma pedagogia própria. Não somos uma igreja, nem uma empresa, somos algo muito diferente e devemos entender que nossos fóruns, reuniões, plenárias devem ser construídos conscientemente, devem ter um roteiro claro para que as pessoas nos entendam e se sintam chamadas a participar, convidadas a dar sua contribuição voluntária e consciente à mudança.

O desafio teórico e prático de se dirigir à juventude e a construção do 14º. Congresso

Vários estados preparam cursos voltados às principais lideranças, cursos que ajudarão àqueles que ocuparão lacunas nos postos de direção a entenderem melhor como se tornarem lideranças. É um passo muito importante. Mais importante que este passo é, no entanto, na minha visão, elaborar ao nível dos estados e municípios, com destaque para os principais núcleos, espaços em que nos dirijamos a mais jovens de maneira compreensível, legal, segundo cada contexto, multiplicando por muitos milhares os jovens que conhecem a UJS. Fazer a militância em qualquer tarefa sempre preocupado em trazer mais gente para a UJS, especialmente lideranças. E como já opinei nesta coluna, Filiado é pra se guardar do esquerdo do peito. É um grande público a quem falar, os já filiados, os amigos que a UJS fez nas passeatas do Fora Bush, nos Congressos da UNE e da UBES, nos encontros de jovens trabalhadores e no processo da Conferência de Juventude. E falar bem a estes pode ajuda a falar para mais gente.

Por isto estamos elaborando o curso de Nível 1 da UJS. Será no formato de uma reunião preparada para dar boas vindas, para apresentar a UJS. De uma proposta elaborada centralmente poderão se preparar inúmeros modelos, adaptações criativas que dêem a mesma mensagem de diversas formas. Algo fácil, descentralizado e cotidiano. A partir desta idéia serão construídas versões próprias, expressão juvenil à mais juvenil das mensagens, que apresenta o socialismo à juventude e a juventude ao socialismo.

Que cada voz dê o tom e que possamos chegar a todos. Que seja bem dito, com a emoção da convicção e com a clareza do método e da empatia. E que dos muitos milhares que nos escutem surja a compreensão de que precisamos de mais jovens para defender as causas justas, para tomar parte na História do Brasil.

*Paulo Vinícius, Cientista social e diretor de formação da UJS.