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terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Oposição a Berlusconi protesta durante votações no Parlamento

Oposição a Berlusconi protesta durante votações no Parlamento

Roma e outras cidades foram palco de atos contra o primeiro-ministro.
Vitorioso no Senado e na Câmara, premiê garantiu continuidade no poder.

Um grupo de estudantes, trabalhadores e outros opositores do primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, jogou tinta e bombas de fumaça contra os edifícios do Parlamento, em Roma, enquanto os deputados votavam uma moção de não-confiança no governo nesta terça-feira (14).

A moção foi derrotada por apenas 3 votos de diferença, resultando em uma vitória para Berlusconi. Se aprovada, ele poderia ter de deixar o cargo e antecipar as eleições parlamentares.

Durante a votação, os manifestantes contrários ao governo e à sua reforma universitária se reuniram em praças, agitando bandeiras. Em alguns lugares, grupos entraram em choque com a polícia antidistúrbios, que isolou o centro de Roma.

Houve protestos também em outras cidades da Itália.

Em Palermo (Sicília), mais de 500 estudantes bloquearam por alguns instantes o aeroporto ao ocupar a pista de aterrissagem e exibir um cartaz onde se podia ler: "Vamos bloquear tudo, vão todos embora". Nenhum avião pôde aterrissar ou descolar, segundo a empresa que gerencia o aeroporto.

Outros estudantes tomaram estações ferroviárias interrompendo o tráfego dos trens, antes de se dirigirem para o porto.

Em Milão (norte), 50 estudantes invadiram a sede da Bolsa de Valores e exibiram o cartaz dizendo "Vocês são um bando de especuladores racistas, e tem que nos dar dinheiro". Quando foram expulsos do prédio, começaram a jogar pedras e a gritar contra a reforma.

As manifestações provocaram também engarrafamentos em outras cidades, como Cagliari (Sardenha, norte) e Bari (sul).

A reforma da universidade prevê a fusão dos estabelecimentos menores, o acesso aos conselhos de administração de especialista externos ao mundo acadêmico e a redução dos mandatos dos reitores. Segundo seus detratores, as medidas buscam principalmente a poupança.

Fonte: G1

O império ianque entrou na etapa final

De Fidel para a juventude: O império ianque entrou na etapa final

Em mensagem ao 17º Festival Mundial das Juventudes e dos Estudantes, que foi aberto nesta segunda-feira (13) na África do Sul, o líder da revolução Cubana, Fidel Castro, relembra as agressões do imperialismo estadunidense aos povos ao longo das últimas décadas, denuncia seus crimes atuais e, com aguda visão histórica, mostra que esta superpotência agressiva está em franco declínio.

Cartaz cubano do Festival Mundial da Juventude e dos Estudantes
Cartaz cubano para o 17º Festival
O presidente da África do Sul, Jacob Zuma, esteve presente no ato de abertura do Festival, sediado este ano na cidade de Tshwane (Pretória). Zuma conclamou as novas gerações do mundo inteiro a lutarem por um mundo melhor e mais justo, com a verdadeira conquista de direitos elementares para os seres humanos.

Ao intervir na abertura do Festival, o chefe de Estado mencionou diversos males que afetam o planeta, "cuja solução deve ser encontrada o mais rápido possível". Entre os problemas globais estão a marginalização de muitos países, elemento utilizado como dominação pelos Estados Unidos, a rarefeita educação, a pobreza extrema, os raros cuidados às crianças e às mulheres, o acesso à saúde e o desemprego, segundo ele.

Assinalou que os jovens devem estar mais unidos ao redor do mundo e sugerir soluções práticas aos obstáculos pois as novas gerações merecem a oportunidade de dar um aporte ao desenvolvimento econômico e social de suas nações.

"Em meio à globalização, poucos países no mundo são donos de seus recursos", criticou Zuma, que também refletiu sobre a necessidade de fazer um uso sustentável do meio ambiente e obter a segurança agro-alimentar.

"Toda mudança constitui um desafio ao futuro e estamos prontos para que as vozes do mundo sejam ouvidas na África do Sul", ressaltou, após referir-se à contribuição que o Festival pode fornecer nesse sentido.

No ato de abertura, em que participaram mais de 20 mil pessoas, num ambiente de combatividade e emoção, com muita música e dança, falaram ao público diversas personalidades sul-africanas, como Kgalema Motlanthe, Winnie Madikizela-Mandela, Julius Malema e Jackie Selebi. Falaram também o presidente da FMJD, Tiago Vieira, e o secretário-geral, Jesus Moura, chefe da delegação cubana, que leu a mensagem de Fidel Castro.

Está presente uma delegação brasileira de cerca de 200 delegados representando a União da Juventude Socialista (UJS), as organizações juvenis do Partido Pátria Livre, PSB, PDT, PT e PMDB, a União Nacional dos Estudantes (UNE) e a União Brasileira dos Estudantes Secundáristas (Ubes).

Leia a seguir a íntegra da mensagem de Fidel

Companheiras e companheiros,

É para mim motivo de gratidão e uma honra atender a solicitação de transmitir-lhes uma mensagem por motivo do 17º Festival Mundial da Juventude e dos Estudantes que tem lugar na pátria de Nelson Mandela, símbolo vivo da luta contra o odioso sistema do apartheid.

Cuba foi sede de dois festivais mundiais: o 11º, em 1978, e o 14º, em 1997.

Pela primeira vez o Festival deixava de se realizar na Europa para ser realizado num país deste hemisfério.

A decisão foi tomada pela 9ª Assembléia da Federação Mundial das Juventudes Democráticas que teve lugar em Varna, Bulgária, em finais de 1974.

Eram tempos diferentes: o mundo se defrontava com sérios problemas, mas menos dramáticos. Os jovens mais progressistas lutavam pelos direitos de todos os seres humanos a uma vida digna; o velho sonho dos maiores pensadores de nossa espécie quando era evidente que a ciência, a tecnologia, a produtividade do trabalho e o desenvolvimento da consciência o faziam possível.

Em um breve lapso de tempo a globalização se acelerou, as comunicações alcançaram níveis insuspeitados, os meios para promover a educação, a saúde e a cultura se multiplicaram. Nossos sonhos não eram infundados. Nesse espírito se realizou o 11º Festival Mundial da Juventude e dos Estudantes, no qual nosso povo também participou.

No Conselho Geral da Federação Mundial das Juventudes Democráticas, celebrado precisamente na heróica África do Sul em princípios de outubro de 1995, se aprovou a realização em Havana do 14º Festival, no qual participaram mais de 12 mil delegados de 132 países. Nosso país estava então há quase 37 anos travando a batalha política e ideológica contra o império e seu brutal bloqueio econômico.

Até a década de1980 não só existiam a República Popular da China, a República Popular Democrática da Coreia, o Vietnã, o Laos e o Camboja, que tinham suportado guerras genocidas e os crimes dos ianques, mas também o campo socialista da Europa e a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, um enorme Estado multinacional de 22 milhões 402 mil e 200 quilômetros quadrados, com enormes recursos de terra agrícola, bosques, petróleo, gás, minerais e outros. Em face da superpotência imperialista, com mais de 800 bases militares instaladas em todo o planeta, erguia-se a superpotência socialista.

A dissolução da União Soviética, fossem quais fossem os erros em um ou outro momento da história, constituiu um duro golpe ao movimento progressista do mundo.

Os ianques se movimentaram rapidamente e estenderam as bases militares e o uso de instalações construídas pela União Soviética para cercar mais etreitamente com sua máquina de guerra a Federação Russa, que ainda continua sendo uma grande potência.

O aventureirismo militar dos Estados Unidos e seus aliados da Otan se incrementou na Europa e na Ásia. Desencadearam a guerra do Kossovo e desintegraram a Sérvia.

No âmbito de nosso hemisfério, ainda antes da desintegração da União Soviética, invadiram em 1965 a República Dominicana; bombardearam e intervieram com forças mercenárias a Nicarágua; invadiram com suas tropas regulares Granada, Panamá e Haiti; promoveram sangrentos golpes militares no Chile, na Argentina e no Uruguai e deram apoio à brutal repressão de Stroessner no Paraguai.

Criaram a Escola das Américas, onde não só treinavam milhares de oficiais latino-americanos em conspirações e golpes de Estado, como também familiarizaram muitos com doutrinas de ódio e práticas sofisticadas de torturas, enquanto se apresentavam diante do mundo como paladinos dos “direitos humanos e da democracia”.

Na primeira década deste século, a superpotência imperialista parece transbordar de seu próprio leito.

Os sangrentos acontecimentos de 11 de setembro de 2001, em que foram destruídas as Torres Gêmeas de Nova York – um episódio dramático no qual perderam a vida cerca de 3 mil pessoas – e o ataque posterior ao Pentágono, veio como anel ao dedo para o inescrupuloso aventureiro George W. Bush para instrumentalizar a chamada guerra contra o terror, que constitui, simplesmente, uma perigosa escalada na brutal política que os Estados Unidos vinham aplicando em nosso planeta.

Está mais do que demonstrada a vergonhosa cumplicidade dos países da Otan com tão condenável guerra. Essa organização bélica acaba de proclamar seu propósito de intervir em qualquer país do mundo em que considere que seus interesses, quer dizer, os dos Estados Unidos, estejam ameaçados.

O monopólio dos meios de informação de massa em mãos das grandes transnacionais capitalistas tem sido utilizado pelo imperialismo para semear mentiras, criar reflexos condicionados e desenvolver instintos egoístas.

Enquanto os jovens, os estudantes viajavam para a África do Sul para lutar por um mundo de paz, dignidade e justiça, na Grã Bretanha os estudantes universitários e seus professores travavam uma batalha campal contra os fornidos e bem equipados corpos repressivos que, sobre briosos cavalos, os atacavam. Poucas vezes e talvez nenhuma outra na história se viu um espetáculo semelhante da “democracia” capitalista. Os partidos neoliberais governantes exercendo seu papel de gendarme da oligarquia, traindo suas promessas eleitorais, aprovaram medidas no parlamento que elevavam a 14 mil dólares anuais o custo dos estudos universitários. O pior de tudo foi o descaro com que os parlamentares neoliberais afirmaram que o “mercado resolvia esse problema”. Somente os ricos tinham direito aos diplomas universitários.

Há poucos dias, o atual secretário de Defesa dos Estados Unidos, Robert Gates, ao comentar os segredos divulgados por WikiLeaks declarou: “O fato é que os governos tratam com os Estados Unidos porque interessa, não porque gostemos deles, não porque confiem em nós e não porque creiam que podemos guardar segredos. Alguns governos tratam conosco porque nos temem, alguns porque nos respeitam, a maioria porque necessita de nós. Ainda somos, como já se disse, a nação indispensável”.

Não poucas pessoas inteligentes e bem informadas abrigam a convicção de que o império ianque, como todos os que o precederam, entrou na etapa final e que os sinais são irrefutáveis.

Um artigo publicado no sítio de internet TomDispatch, traduzido do inglês pelo sítio Rebelion, expõe quatro hipóteses do provável curso dos acontecimentos nos Estados Unidos, e em todas elas a guerra mundial figura como uma das possibilidades, embora não se exclua que possa haver outra saída. Acrescenta que definitivamente esse país perderá seu papel dominante nas exportações globais de mercadorias e em menos de 15 anos perderia seu papel dominante na inovação tecnológica e a função privilegiada do dólar como moeda de reserva. Menciona que já este ano a China alcançou 12% da exportação mundial de mercadorias contra 11% dos Estados Unidos e aludiu à apresentação feita pelo ministro da Defesa da China no mês de outubro deste ano do supercomputador Tianhe-1A, tão poderoso que, como expressou um especialista estadunidense, ”liquida a máquina número 1 existente nos Estados Unidos”.

Ao chegar à África do Sul nossos compatriotas, entre as suas primeiras atividades, renderam merecido tributo aos combatentes internacionalistas que deram sua vida lutando pela África.

Há 12 anos no vizinho Haiti nossa missão médica presta seu serviço ao povo haitiano; hoje com a cooperação de médicos internacionalistas graduados na Elam – Escola Latino-Americana de Medicina. Ali lutam também pela África combatendo a epidemia do cólera, que é a doença da pobreza, para impedir que se estenda a esse continente, onde assim como na América Latina, há muita pobreza. Com a experiência adquirida, nossos médicos reduziram extraordinariamente a taxa de letalidade. Muito perto da África do Sul, no Zimbábue, em agosto de 2008, de “forma explosiva” eclodiu essa epidemia, segundo o diário “Herald” de Harare. Robert Mugabe acusou os governos dos Estados Unidos e da Grã Bretanha de introduzir a doença..

Como prova da total falta de escrúpulo ianque é necessário recordar que o governo dos Estados Unidos entregou armas nucleares ao regime do apartheid, que os racistas estiveram a ponto de usar contra as tropas cubanas e angolanas, que depois da vitória de Cuito Cuanavale avançavam em direção ao Sul, onde o comando cubano, suspeitando esse perigo, adotou as medidas e táticas pertinentes que lhe davam o domínio total do ar. Se tentassem usar tais armas, não teriam obtido a vitória. Mas é legítimo perguntar-se: Que teria ocorrido se os racistas sulafricanos tivessem utilizado as armas nucleares contra as forças de Cuba e Angola? Qual teria sido a reação internacional? Como teria sido possível justificar aquele ato de barbárie? Como teria reagido a União Soviética? São perguntas que devemos fazer.

Quando os racistas entregaram o governo a Nelson Mandela, não lhe disseram uma só palavra, nem o que fizeram com aquelas armas. A investigação e a denúncia de tais fatos seriam nestes instantes um grande serviço ao mundo. Exorto todos vocês, queridos compatriotas, a apresentar este tema no Festival Mundial da Juventude e dos Estudantes

Pátria ou Morte!

Fidel Castro Ruz, 13 de dezembro de 2010, traduzido pelo Vermelho a partir do Cubadebate.
 
Da redação, com informações dos membros da UJS direto de Pretória

sexta-feira, 12 de março de 2010

Juventude do PCdoB define metas para 2010

Juventude do PCdoB define metas para 2010

O diretório municipal do PCdoB de Aracaju realizou mais um Encontro de Juventude do Partido . O evento, que ocorreu no sábado (27/02), aconteceu no auditório do Hotel Jatobá e contou com expressiva presença de militantes partidários que atuam na frente de juventude. No final do encontro, os jovens comunistas definiram tarefas para 2010.

O Encontro teve como eixo de debate a conjuntura política atual. A Presidente do Comitê Estadual e membro do Comitê Central do Partido, Tânia Soares, apresentou o tema. Também foi discutido o papel dos jovens comunistas na luta social . O assunto foi apresentado pelo presidente do Comitê Municipal do PCdoB em Aracaju, Hallison de Sousa.

“O PCdoB em Sergipe a cada dia que passa amplia a sua relação com a sociedade. Através do Governo de Edvaldo na prefeitura de Aracaju estamos demonstrando o nosso compromisso com o povo, com o desenvolvimento e a qualidade de vida. Na luta social também não é diferente, é destacada a intervenção dos nossos militantes. Com este Encontro de Juventude estamos coletivamente analisando a realidade política do nosso estado, o protagonismo do PCdoB e traçando os objetivos e as tarefas do nosso partido. Foi um grande encontro que engrandece o nosso partido e estimula os jovens militantes comunistas”, afirma Tânia Soares.

Para Hallison, “historicamente, o PCdoB teve importante intervenção na ação política da juventude. O Brasil vem crescendo, se desenvolvendo, mudando a sua fisionomia. Este encontro serviu também para discutirmos qual deve ser o protagonismo da juventude que pretendemos construir com esta parcela da sociedade que bastante sentiu os ventos da mudança e do desenvolvimento no país, este é o nosso objetivo, incentivar o coletivo partidário a analisar a realidade e corresponder com ações na juventude, que desenvolvam a participação popular e o crescimento do Brasil.”

A presidente da UJS, Rosivânia Santos, avalia que “a participação foi intensa e plural, estiveram presentes militantes que atuam no movimento estudantil secundarista e universitário, do hip hop, de defesa dos direitos da criança e do adolescente e do movimento do desporto. A galera correspondeu ao chamamento partidário e demonstrou entusiasmo.”

Foram apresentadas como tarefas a participação determinada dos jovens comunistas nas eleições 2010, contribuindo decisivamente na eleição de Tânia Soares à deputada estadual, e na construção de um grande Congresso da UJS. Além disso, uma ação mais organizada no movimento estudantil secundarista e universitário e a construção de uma interlocução mais ativa no movimento Hip Hop através da consolidação da Nação Hip Hop em Aracaju ficaram como objetivos. A juventude também identificou a necessidade de realizar debates e organizar-se na defesa do meio ambiente, no incentivo ao esporte e na ampliação da assistência à criança e ao adolescente.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Secretaria de Juventude indica rumos para uma UJS de massas

Secretaria de Juventude indica rumos para uma UJS de massas

O PCdoB deu início, neste primeiro bimestre, a uma nova fase em sua atuação juvenil. Depois de realizar o 2º Encontro Nacional Partido e Juventude, a secretaria responsável pela área foca suas ações na preparação dessa frente para importantes eventos que marcam o calendário 2009, como os congressos do partido, o da UNE e o da Ubes, além de incentivar o debate visando as eleições de 2010. Tais aspectos fazem parte de um plano de longo prazo, cujo objetivo é fazer da UJS uma entidade de massas.

O 2º Encontro – realizado entre os dias 13 e 15 de março – procurou discutir um plano de atuação para orientar o trabalho nessa jornada rumo a uma nova União da Juventude Socialista. Superando as expectativas da Secretaria de Juventude, o evento reuniu mais de 100 dirigentes de 18 estados, num debate que convergiu para a necessidade de se inaugurar essa nova fase. “Estamos assistindo a uma espécie de ‘revolução cultural’ em nosso modo de ver e planejar nossa atuação, traçando objetivos estratégicos”, diz Ricardo Abreu, o Alemão, secretário de Juventude do PCdoB.

No entanto, Alemão alertou para a necessidade de haver uma transformação no trabalho das secretarias estaduais. Por isso, já estão sendo articulados seminários locais – que devem acontecer entre abril e setembro – para estruturar as ações de juventude. Dentre as dificuldades apontadas pelo dirigente no âmbito estadual está, primeiramente, uma de ordem geral, que atinge o partido como um todo. “O PCdoB cresceu e tem hoje múltiplas tarefas e desafios políticos enormes, em especial na frente de atuação institucional – que envolve a participação em governos – e parlamentar. Isso tudo exige muito de nossos dirigentes”, explicou. Porém, salientou que “é preciso dosar melhor a pauta dos comitês”. Partindo da compreensão de que estas são áreas prioritárias de atuação, Alemão alerta, no entanto, para a necessidade de se “equilibrar a agenda partidária e distribuir melhor as energias de nossos quadros”.

Outro ponto que destacou como obstáculo a ser superado é a subestimação do papel da secretaria de juventude por algumas direções estaduais. “Estão colocando militantes jovens demais nas secretarias da juventude do PCdoB. E o jovem tem de estar na direção da UJS. Secretaria de Juventude é para quadros mais maduros do partido, com acúmulo suficiente para orientar essa frente”, argumentou.

De acordo com o secretário, “esta é uma tendência recente, que não chegou a prejudicar o trabalho na área, mas trata-se de um problema que precisa ser resolvido a fim de não dificultar o planejamento futuro”.

De fato, o trabalho do PCdoB na juventude continua sendo reconhecido por outras agremiações políticas de dentro e de fora do país. Por isso, no documento apresentado durante o encontro e que em breve deverá ter o crivo da Comissão Política Nacional, um dos pontos que procura desvendar o “segredo do PCdoB na área da juventude” coloca que o partido “valoriza de fato a juventude, encarada como um segmento de grande vitalidade política e ideológica, e como fonte de crescimento e renovação”.

Para o partido, “uma força que do ponto de vista ideológico não valoriza a juventude – tratando os jovens de modo interesseiro e imediatista – não consegue formular propostas que realmente correspondam aos interesses da juventude”. E completa: “o PCdoB é protagonista entre os jovens porque leva a sério o potencial transformador do movimento juvenil, tratando a juventude de maneira avançada, como uma das forças motrizes da transformação”.

Para além do imediato

Um dos pontos que mais chamaram atenção durante o encontro foi a visão futura da juventude defendida pelo PCdoB. O partido planeja pôr em prática, desde já, um projeto que visa aprimorar o trabalho nessa área nos próximos 13 anos. “No rico contexto político que vivenciamos atualmente, não podemos nos bastar com objetivos políticos imediatos e com o alcance de metas numéricas conjunturais. Isso é muito importante, mas é pouco”, diz o mesmo documento. E salienta ainda: “é preciso olhar além, colocando como verdadeiro parâmetro de nosso trabalho um conjunto de objetivos estratégicos, visando a um crescimento mais qualitativo e direcionado. É necessário, para além dos planos anuais e bienais, desenvolver uma visão de médio e longo prazo, capaz de informar os objetivos partidários no trabalho juvenil para os próximos anos e até mesmo até 2022”, quando o PCdoB completará 100 anos”.

Dentro dessa percepção de futuro, Alemão recordou a análise feita pelo presidente do PCdoB, Renato Rabelo, durante o 2º Encontro. “Trabalhadores, estudantes, jovens e intelectuais são setores estratégicos para a revolução brasileira. E o PCdoB tem uma característica fundamental que é a capacidade de atrair jovens e ser contemporâneo. Isso mostra a justeza de nossa política, mas também nossa capacidade em saber trabalhar com a juventude”.

Para ele, outro ponto importante é a força política e ideológica do partido junto a esse público. “Temos na juventude certa reserva ideológica e isso é fundamental porque a transição para o socialismo no Brasil será feita por gerações”.

Plano de atividades

Seguindo esse princípio de construir uma UJS de massas dentro de um plano de longo prazo, a Secretaria de Juventude elegeu como prioritárias, além dos encontros estaduais, os processos de preparação para o 51º Congresso da UNE, entre março e julho, para o 37º Congresso da Ubes, entre agosto e dezembro e para o 12º Congresso do PCdoB, em novembro, juntamente com suas conferências preparatórias, entre julho e setembro e a eleição do Conselho Nacional de Juventude, em dezembro.

Além desses eventos, o plano de trabalho – que também será aprovada em breve – aponta como ações fundamentais acompanhar a campanha dos 25 anos da UJS, em setembro, cujo mote deve ser “Canto a Esperança de um Novo Mundo” e a mobilização da UJS para o 22º Congresso da Associação Nacional Pós-Graduandos (ANPG), através de controle com os comitês estaduais, reuniões partidárias e visitas aos estados.

O documento também destaca a discussão junto à Comissão Nacional Sindical (CNS) da construção de políticas, mecanismos e estruturas que reforcem o projeto partidário para a juventude trabalhadora; o acompanhamento das Políticas Públicas para Juventude em âmbito nacional a partir de Brasília, com destaque para a discussão e votação do Plano Nacional de Juventude, do Estatuto da Juventude e da PEC da Juventude e a elaboração e controle dos projetos de participação nas conferências do governo Lula em 2009.

De São Paulo,
Priscila Lobregatte
Foto: Vitor Vogel
Fonte: Vermelho

quinta-feira, 26 de março de 2009

30 de Março: a juventude não vai pagar pela crise

30 de Março: a juventude não vai pagar pela crise

Nesta segunda feira, 30 de março, os movimentos sociais ocuparão as ruas nos quatro cantos do país para dar o recado: "Essa crise não é nossa! Queremos mais investimentos!". Por indicação de plenária realizada no Fórum Social Mundial, em diversas outras nações acontecerão atividades semelhantes.

A Jornada de Lutas unificada - que envolverá entidades juvenis e estudantis, centrais sindicais, trabalhadores rurais, entidades das lutas emancipatória e antirracista - apresentará uma pauta popular para enfrentar os efeitos da crise capitalista.

"Os trabalhadores e trabalhadoras do campo e da cidade estarão unidos contra a crise e as demissões, por emprego e salário, pela manutenção e ampliação de direitos, pela redução dos juros e da jornada de trabalho sem redução de salários, pela reforma agrária e em defesa dos investimentos em políticas sociais", diz o texto de convocação do ato unificado.

UJS na linha de frente

A União da Juventude Socialista deve participar de maneira destacada desses atos. Segundo Marcelo Gavião, presidente da nacional da entidade, milhares de jovens socialistas irão engrossar as manifestações.

"Vamos mobilizar toda a nossa militância para esses atos. A situação é grave e não permitiremos que a juventude seja chamada a pagar a conta de uma crise que não é nossa, que foi fabricada pelos especuladores e pelos países ricos", disse.

Gavião também alerta para a necessidade de unir forças para melhor resistir à tormenta. "É hora de união dos movimentos sociais para enfrentar o interesse dos poderosos, que causaram a crise e querem jogar o problema nas costas do povo. Por isso, saudamos a manifestação unitária como um passo importante para resistir e reivindicar uma saída da crise que não penalize o povo".

De São Paulo,

Fernando Borgonovi

terça-feira, 17 de março de 2009

UJS faz mudanças na sua direção e aprova plano para até 2010

UJS faz mudanças na sua direção e aprova plano para até 2010

Reunida nesta quinta e sexta (12 e 13), na cidade de São Paulo, a Direção Nacional da UJS (União da Juventude Socialista) aprovou seu planejamento até 2010, promoveu alterações na executiva e elegeu a nova comissão diretora da entidade. O plano de atuação para o Congresso da UNE, o Encontro Nacional de Universitários da UJS e a Jornada de Lutas foram os pontos altos do debate.

O presidente da UJS, Marcelo Gavião, afirma que a reunião cumpriu papel importante para os desafios da gestão. "Essa foi uma ótima reunião. Nosso planejamento vai dar cabo da construção de grandes atividades da UJS em várias frentes, principalmente no movimento estudantil."

Ele destaca o desafio do próximo congresso da UNE. "A orientação é fazer a maior campanha da história dos congressos da UNE. Isso ajudará, não só a fortalecer a União Nacional dos Estudantes, como também garantir um crescimento maior da UJS pelas universidades do país", agrega.

Segundo Gavião, a juventude não vai pagar a conta da crise. "Vamos mobilizar o conjunto da juventude para denunciar os verdadeiros responsáveis pela crise internacional que tem ampliado o desemprego juvenil", defende.

Campanhas

Após a apresentação da atualização política, que teve ênfase na crise econômica do capitalismo e a necessidade de lutar para que a conta não seja jogada nas costas do povo, o planejamento foi apresentado com centro nas campanhas próprias da UJS, em especial a comemorativa dos 25 anos da entidade - "Canto a Esperança de Um Mundo Novo".

Outra campanha, esta de caráter conjuntural, será sobre a conquista de mais direitos para a juventude, apresentada através de bandeiras para os jovens trabalhadores, em políticas públicas de juventude e educação, e deverá se estender até a batalha eleitoral de 2010.

Foi ressaltado, no debate entre os dirigentes, a necessidade de avançar na fase de consolidação da UJS como entidade juvenil, socialista e de massas, organizada em várias frentes de atuação e enraizada através de núcleos. Também foi debatida a necessidade de avançar ainda mais no fortalecimento das áreas de trabalho da entidade, como organização, formação, comunicação e finanças.

Mudanças na Executiva

Na noite de quinta foi apresentado o planejamento financeiro para o ano de 2009, com destaque para o lançamento da carteirinha de militante da UJS, que estará disponível já no próximo dia 23 de março, no Encontro Universitário, e também poderá ser adquirida pela internet, pelo site da entidade.

Dando consequência à resolução do 14º Congresso Nacional de reequilibrar as atenções conferidas ao movimento universitário e secundarista, fortalecendo o acompanhamento do segundo com dirigente designado exclusivamente para isso, o diretor Ossi Ferreira assumiu a pasta de Diretor de Movimento Estudantil Secundarista. Em seu lugar, na pasta de Organização, assumiu Arilton Freres, atual presidente da UJS no Paraná.

Congresso da UNE

O debate sobre o movimento universitário teve como eixos principais a campanha para o 51º Congresso da UNE e o Encontro Nacional de Estudantes Universitários da UJS, que acontecerá nos dias 23 e 24 de março, em São Paulo.

O plano para o movimento universitário é audacioso e pretende comportar maior mobilização de estudantes já realizada pela UJS para um Congresso da UNE. A ideia é aproveitar o momento para construir uma grande mobilização de filiação entre os universitários e consolidar a presença da UJS através de núcleos nas maiores universidades, públicas e privadas, das maiores cidades.

A avaliação geral entre os jovens socialistas é que o ambiente político de crise econômica profunda do capitalismo favorece a ampla unidade do movimento estudantil em contraponto aos que querem dividir seus custos com o povo. Assim, os estudantes poderão buscar na Conferência Nacional de Educação a implementação de suas bandeiras.

Jornada de Lutas

Por essa situação política, a UJS empenhará esforços para construir uma grande Jornada de Lutas entre os dias 30 de março e 1º de abril, com atenção especial para as mobilizações a serem realizadas nas capitais dos maiores estados.

O lema da Jornada será "Essa crise não é nossa! Queremos mais direitos!". Uma das respostas dos movimentos sociais frente aos ataques que a grande mídia vem desferindo às organizações populares, buscando criminalizá-las e desmoralizá-las.

Por fim, a reunião elegeu, por unanimidade, a nova Comissão Diretora da entidade, que se reunirá mensalmente e terá a incumbência de dirigir politicamente a UJS entre as reuniões da Direção Nacional.

Veja as mudanças na DN:

Executiva

Presidente: Marcelo Gavião
Organização: Arilton Freres
Finanças: Anderson Souza
Comunicação: Fernando Borgonovi
Formação: Titi Alvares
Movimento Estudantil Universitário: Márcio Cabral
Movimento estudantil Secundarista: Ossi Ferreira
Jovens Trabalhadores: Vitor Espinoza
Hip Hop e movimentos de periferia: Mano Oxi
Jovens Cientistas: Elisângela Lizardo
Presidente UJS/SP: Renata Lemos Petta

Comissão Diretora

Presidente: Marcelo Gavião
Organização: Arilton Freres
Finanças: Anderson Souza
Comunicação: Fernando Borgonovi
Formação: Titi Alvares
Diretor de Movimento Estudantil Universitário: Márcio Cabral
Diretor de Movimento estudantil Secundarista: Ossi Ferreira
Diretor de Jovens Trabalhadores: Vitor Espinoza
Diretor de Hip Hop e movimentos de periferia: Mano Oxi
Diretora de Jovens Cientistas: Elisângela Lizardo
Presidente UJS/SP: Renata Lemos Petta
Presidente UJS/RJ: Igor Bruno
Cultura e PPJ: Alexandre Santini
LGBT: Denilson Alves B Junior
ME Secundarista: Ismael de Almeida Cardoso
ME Universitário: André Tokarski
ME Universitário: Luana Bonone
ME Universirtário: Lúcia kluck Stumpf
Jovens Mulheres: Mariana Venturini
ME UNiversitário: Márvia Scardua
ME Secundarista: Osvaldo Roberto Lemos
Novas Tecnologias: Thiago Franco
ME Secundarista: Thiara Milhomem
Jovens Trabalhadores: Euzébio Jorge
Hip Hop e movimentos de periferia: Toni C

Visão de longo prazo para a juventude marca encontro do PCdoB “A juventude é fundamental para quem pensa historicamente, como é o caso do PCdoB

Visão de longo prazo para a juventude marca encontro do PCdoB

“A juventude é fundamental para quem pensa historicamente, como é o caso do PCdoB”. Sob essa perspectiva, apontada pelo secretário de Juventude, Ricardo Abreu “Alemão”, teve início na noite desta sexta-feira (13) mais um Encontro Nacional de Secretarias de Juventude. Entre os assuntos em pauta, uma abordagem ousada sobre o trabalho nessa frente: a possibilidade de um planejamento em longo prazo com vistas ao ano de 2022, quando o PCdoB completa 100 anos. Outro ponto central a ser discutido até esse domingo é o Plano de Trabalho para 2009.



Alemão, Fabiana Costa e Fernando Niedsberg

São esperados para o evento – que acontece na sede do PCdoB, em São Paulo – cerca de 60 secretários de Juventude, dirigentes que atuam nessa frente e lideranças da UJS. “O partido sabe da necessidade de se planejar a atuação na juventude com uma visão estratégica”, disse Alemão, na abertura dos trabalhos.

A ideia de pensar ações visando o ano de 2022 inauguraria a terceira fase do trabalho do PCdoB nessa frente. A primeira delas vem imediatamente após a fundação do partido, com a criação da Juventude Comunista. A segunda fase vem com a criação da UJS, em 1984 e a terceira, advinda do relançamento da entidade em 1996, estaria se encerrando neste ano. O foco agora volta-se para fazer da UJS uma entidade de massas.

No entanto, para que a maior inserção dos comunistas no meio juvenil resulte em ações de longo prazo, é preciso, segundo Alemão, que se supere a visão - ainda comum em muitos setores do partido - de que os bons resultados dessa frente dispensam maiores investimentos. "Se não fizermos um trabalho constante de renovação ideológica, programática e política, vamos retroceder. O que não avança, regride", afirmou.

Ele alertou ainda para a necessidade de as direções estaduais investirem mais nessa frente. Lembrando observação feita recentemente pelo presidente da legenda, Renato Rabelo, Alemão salientou que o partido conseguiu vitórias importantes desde o fim da experiência soviética, quando o movimento comunista passou a ser visto como algo anacrônico. "Paradoxalmente conseguimos continuar atraindo os jovens e seguimos sendo contemporâneos", constatou.

No documento-base apresentado para o debate dos próximos dois dias, a Secretaria de Juventude dá algumas pistas sobre o porquê desse bom desempenho dos comunistas entre os jovens. Entre eles, aponta a priorização real - e não apenas formal - do trabalho com a juventude; ideologia revolucionária; política justa no comando; unidade, democracia interna e disciplina; formação de quadros; trabalho de base permanente, combatividade, inovação e criatividade. "Acho que o reconhecimento que temos recebido inclusive de partidos estrangeiros quanto à nossa atuação na juventude é resultado de uma ação bastante complexa que realizamos desde a fundação do partido. Esse acúmulo nos deu as bases para uma política exitosa nessa área. Queremos agora avançar nos objetivos estratégicos, visando a um crescimento mais qualitativo e direcionado", avaliou Alemão.

Do ponto de vista da ação mais imediata, o documento a ser discutido enumera os desafios atuais da luta da juventude por mudanças. Como principais bandeiras estão a luta pelo socialismo, pela paz e contra a guerra imperialista; pela integração da América Latina; por um novo projeto nacional de desenvolvimento; pela ampliação dos canais de participação política da juventude; pelo emprego para a juventude; pela reforma da educação; pela maior ligação entre ciência e tecnologia e desenvolvimento nacional; pela democratização do acesso da juventude à cultura; pela democratização da prática esportiva para a juventude e do acesso da juventude à cidade; pela reforma agrária para a juventude rural; pela defesa da Amazônia como fator estratégico para a soberania nacional; pela preservação do meio ambiente; pela democratização dos meios de comunicação e do acesso aos meios digitais;pela defesa dos direitos das jovens mulheres; pelo combate ao racismo; pela defesa da livre orientação sexual e por uma nova abordagem do Estado em relação ao uso de drogas.

Ao tratar dos desafios estratégicos que nortearão o trabalho juvenil do partido nos próximos anos e décadas, o documento apresenta como objetivos contribuir para que a juventude brasileira seja mais conscientizada e organizada; desenvolver um projeto partidário para a UJS; fazer do PCdoB uma referência na área das políticas públicas de juventude e ampliar os estudos marxistas e progressistas sobre a juventude.

No que tange ao trabalho de direção, cujo ponto central é preparar o PCdoB para uma nova fase no trabalho juvenil, o documento propõe elevar o nível das direções partidárias na área de juventude; superar visões pragmáticas e utilitaristas; superar incompreensões sobre a autonomia orgânica da UJS; dar mais vida partidária para os jovens comunistas; reforçar a atuação do jovem comunista na UJS; trabalhar com a ideia de uma UJS de massas e organizada; priorizar o crescimento da UJS; modernizar o trabalho de direção; superar os entraves financeiros e desenvolver uma política de quadros para os jovens comunistas.

O documento-base, bem como o plano de atuação para o ano, será discutido e aperfeiçoado durante o encontro. No domingo, o presidente do PCdoB, Renato Rabelo, encerra os trabalhos com a conferência "A situação política atual e o 12º Congresso do PCdoB".

segunda-feira, 7 de abril de 2008

A importância de apresentar a UJS para milhares de jovens

A importância de apresentar a UJS para milhares de jovens

Um período muito importante na consolidação da minha militância e da passagem à direção estadual da UJS na primeira metade dos anos 90. Foi o período das reuniões na Rua 24 de Maio, no Centro de Fortaleza, sede do Sindicato dos Bancários. Era um lugar público e amplo, de fácil localização, neutro, muito bom para fazer as reuniões. Na frente, a gente se encontrava e ficava trocando idéia, esperando chegar todo mundo para começar.

Por anos aquele endereço foi o nosso ponto de encontro aos sábados, às três da tarde. Você queria encontrar a UJS, procurasse lá, estávamos reunidos. Esta estabilidade em reunir coincidiu com a chegada da turma do pós Fora Collor. Era o surgimento de uma nova geração de dirigentes.

Nesta época, primeira metade dos anos 90, em Fortaleza, a UJS era ainda exclusivamente secundarista. E era muito interessante quando chegava aquela moçada de diferentes escolas e bairros a que tínhamos chegado. Recordo o sorriso e o orgulho no rosto do Francisco, liderança imbatível do Valter Sá Cavalcante, uma escola bem distante, na Cidade dos Funcionários cujo nome homenageia uma liderança estudantil de peso, diretor da UNE. Este orgulho tinha a ver com a certeza de que éramos capazes de mobilizar centenas de outros jovens: parar o Centro de Fortaleza - já o fizéramos. Esta identidade mobilizadora, de luta, é uma característica muito importante na UJS.

A sociabilidade da juventude que ingressa na UJS

Naqueles momentos construíamos laços de amizade e convivência. Eram muitas as minhas horas de militante secundarista. Ia pra escola de manhã e só voltava à noite. Este ainda é o pique daquela moçada da UJS que vai as escolas. A luta concreta é uma grande escola. Em Fortaleza a UJS se organizava em zonais, formal ou informalmente. As lideranças viviam os bairros de suas escolas, inclusive no Centro. Meu irmão, Roberto, por exemplo, organizou a UJS na Barra do Ceará, estudante do Hilza Diogo. De sua ação surgiram várias novas lideranças, muitas delas vindas de famílias pobres. E daí surgiram alguns diretores da UBES, de um ambiente onde o movimento pulsava.

É muito comum, num determinado Bairro, como na Barra do Ceará, haver várias escolas próximas, um potencial incrível de mobilização estudantil. Em torno da escola com mais filiados se encontravam estudantes de todo o Bairro. A ampla maioria dos jovens com quem nos relacionávamos, aquelas centenas que iam às mobilizações, a maioria não era da UJS e havia diferentes níveis de apoio. Esta soma era a medida da nossa liderança nas escolas. Cada escola tinha a sua dinâmica, a sua política interna, os seus personagens. Era um movimento amplo, pois se dirigia aos estudantes e à comunidade que é a escola. É o que ocorre também em cursos e em várias faculdades, que têm esta força de gravidade, que encarnam um universo político e humano muito rico.

Tudo isto desaguava na reunião de sábado. Era lá que sabíamos o que estava rolando na UJS e no Brasil. É desse período que me recordo das ladainhas, o início das reuniões, dirigida às pessoas que não eram da UJS, trazidas por outro militante. A ladainha era o nosso ponto de conjuntura de então, a recepção às pessoas novas, as boas vindas, ela situava todos os presentes no sentido da UJS.

E tiramos lições das nossas ações quando as coordenamos. É quando reunimos que coletivamente identificamos a "liga", o fio condutor do que fazemos. Minha opinião é uma direção da UJS está mais consolidada na medida em que conseguir estabelecer um funcionamento próprio, que crie um ambiente de convivência entre jovens de diversos lugares que se reconhece na ação porque toda esta experiência coletiva tem na UJS o seu lugar de encontro. É quando estamos juntos que a UJS fica mais bonita e ela é vanguarda por sua capacidade de unir a juventude por causas amplas, fator decisivo da UJS enquanto espaços de formação de lideranças.

Isto necessita de uma continuidade, da sistematização da nossa prática. E era isto que fazíamos, lançávamos um olhar consciente sobre o que estávamos a construir. Naquelas reuniões eu aprendi que é decisivo haver uma galera que chame a si a responsabilidade de lutar pelos direitos da juventude, que tenha raiva de injustiças, que é patriota e animada, que adora curtir e viver sua juventude. Era um compromisso, mas era legal ir - uma boa definição da UJS. E eu sentia falta de rever as pessoas. Fazer tanta coisa nos coloca muito próximos, convivendo por horas, dias, meses, anos.

E esta relação entre jovens tem mais qualidade se em lugares fixos, com dia e hora dedicados ao reencontro da nossa moçada. Eu lembro que estes sábados à tarde eram parte constante da minha agenda. Reunir no sindicato dos Bancários todo sábado às três da tarde foi fundamental para consolidar aquela moçada na UJS. Nós tivemos que formatar um funcionamento próprio, e definíamos como nos mover em todo um circuito político, formado pelos lugares por onde circulávamos e fazíamos o movimento, mas também por bares, festas, bairros, salas de aula, pátios de escolas, um ambiente onde desenvolvemos práticas, um aprendizado coletivo.

Mais à frente, quando retomamos a direção do DCE da UFC – depois de um intervalo de mais de dez anos – entendi melhor que aquele resultado foi o cume de um aprendizado cuja sala de aula mais importante fora naquelas reuniões, onde pudemos pensar a UJS por inúmeras tardes. Mas não era em tom de humor que repetíamos o relato daquilo que somos, da História, do presente da UJS. Naquela hora, ao iniciar a reunião, um membro da direção tomava a palavra e apresentava aos mais novos e dos militantes uma História da UJS. Lembro de quando o Flávio Arruda fazia as ladainhas até hoje. Era um aprendizado de falar ao público, de defender nossas idéias, de afirmar valores. Para quem chega, por outro lado, era uma sensação muito boa, uma valorização da importância daquela pessoa convidada a ingressar na UJS. Para quem falava era um comprometimento e um exercício do domínio de nossa política.

Coletivizar o mais importante

E era repetitivo mesmo, e cumpria um grande papel. O Legião Urbana consagrou uma frase: "Sei que às vezes uso palavras repetidas, mas quais são as palavras que nunca são ditas?". Apóio-me nela ao defender a massificação de nossos conceitos mais simples, as nossas opiniões mais permanentes, como o Manifesto da UJS, nossa concepção de Movimento Estudantil, nossa História, inclusive da UJS nos Estados, os pontos centrais do Congresso. Claro que é muito importante saber muito, mas é decisivo que todos saibam quem somos, como pensamos, pelo que lutamos, nosso papel no Brasil. E passar este conhecimento no debate do Congresso da UJS, na discussão da tese permite que outros milhares de jovens ajudem a escrever a história de nossa organização, porque lhes dá a base para serem ativos militantes na base, para vestir a camisa.

Penso que boa parte da consolidação de uma direção municipal, de um núcleo, e mesmo de uma direção estadual está em definir com o apoio de todos uma agenda, um funcionamento, criar uma dinâmica própria, que permita debater as polêmicas, construir os consensos, passar o saber militante aos mais novos, preparar um ambiente legal para centenas de jovens viverem sua opção militante. Que seja aberto para o ingresso de mais jovens do povo, capaz de atrair as lideranças naturais que existem e lhes dar um espaço de convivência divertido, produtivo, ordenado por nós mesmos, capaz de potencializar suas melhores qualidades e liderança. E um ambiente politizado, em que cada jovem participa de algo muito maior que apenas um grupo de amigos. E eu tenho amigos de quinze anos que fiz na UJS e eu os encontre entre jovens com grande potencial que mudam a realidade com seu protagonismo, uma galera rebelde, tão rebelde que defende um socialismo com a cara do Brasil e da Juventude, com samba, maracatu, com boi, hip hop e reizado.

A UJS está definindo sua ação nos Estados

Por todo o Brasil a UJS prepara as suas plenárias para lançar o 14º. Congresso. A partir delas haverá o acionar de uma grande estruturação que consolidará núcleos e direções que terão a tarefa de falar a muitos milhares de jovens, no convite para conhecer a UJS. Será um semestre em que muitos jovens sentirão o chamado a uma militância mais ativa, maiores responsabilidades.

Este riquíssimo momento merece táticas apropriadas, formas de falar com esta juventude. Um desafio já é falar a dezenas de milhares que já são filiados. E, para além deles, em busca de dialogar com amplas parcelas da juventude, muita gente independente nas escolas, no trabalho, nas universidades, na periferia e também em movimentos juvenis. É grande o número de adolescentes que já entendem a importância das causas, de ser voluntário, mas sem saber ainda que a militância, este voluntariado político, muda a realidade, que foi graças a eles que muitos jovens tiveram oportunidade no último período. Para que entendam isto, precisam ter a oportunidade de nos ouvir. A responsabilidade de pensar estes momentos e de criar estas oportunidades é nossa.

Envolver, convidar e saber se apresentar é fundamental para que amplas parcelas da juventude possam tomar parte na mudança do Brasil. Trata-se de envolver o povo na luta pela mudança. Para isto é necessário ter uma pedagogia própria. Não somos uma igreja, nem uma empresa, somos algo muito diferente e devemos entender que nossos fóruns, reuniões, plenárias devem ser construídos conscientemente, devem ter um roteiro claro para que as pessoas nos entendam e se sintam chamadas a participar, convidadas a dar sua contribuição voluntária e consciente à mudança.

O desafio teórico e prático de se dirigir à juventude e a construção do 14º. Congresso

Vários estados preparam cursos voltados às principais lideranças, cursos que ajudarão àqueles que ocuparão lacunas nos postos de direção a entenderem melhor como se tornarem lideranças. É um passo muito importante. Mais importante que este passo é, no entanto, na minha visão, elaborar ao nível dos estados e municípios, com destaque para os principais núcleos, espaços em que nos dirijamos a mais jovens de maneira compreensível, legal, segundo cada contexto, multiplicando por muitos milhares os jovens que conhecem a UJS. Fazer a militância em qualquer tarefa sempre preocupado em trazer mais gente para a UJS, especialmente lideranças. E como já opinei nesta coluna, Filiado é pra se guardar do esquerdo do peito. É um grande público a quem falar, os já filiados, os amigos que a UJS fez nas passeatas do Fora Bush, nos Congressos da UNE e da UBES, nos encontros de jovens trabalhadores e no processo da Conferência de Juventude. E falar bem a estes pode ajuda a falar para mais gente.

Por isto estamos elaborando o curso de Nível 1 da UJS. Será no formato de uma reunião preparada para dar boas vindas, para apresentar a UJS. De uma proposta elaborada centralmente poderão se preparar inúmeros modelos, adaptações criativas que dêem a mesma mensagem de diversas formas. Algo fácil, descentralizado e cotidiano. A partir desta idéia serão construídas versões próprias, expressão juvenil à mais juvenil das mensagens, que apresenta o socialismo à juventude e a juventude ao socialismo.

Que cada voz dê o tom e que possamos chegar a todos. Que seja bem dito, com a emoção da convicção e com a clareza do método e da empatia. E que dos muitos milhares que nos escutem surja a compreensão de que precisamos de mais jovens para defender as causas justas, para tomar parte na História do Brasil.

*Paulo Vinícius, Cientista social e diretor de formação da UJS.

Essa é a UJS

Essa é a UJS

Sabemos que os jovens têm uma força importante para a transformação social, seja em manifestações pacifista contra a guerra de Bush, ou nas mobilizações político-democráticas do povo brasileiro por mudança. Sabemos também que não podemos ser mais contra por ser contra e que algumas bandeiras já foram vencidas e conquistadas pelos jovens. É preciso explicar o porque do ser contra, é necessário que o movimento juvenil renove e ocupe mais espaço político de uma forma mais ousada, afirmativa e audaciosa, é pra isso que existe a UJS.

A UJS sendo uma organização de jovens que lutam para a construção de uma sociedade mais justa e organizada; e vemos no socialismo a melhor maneira de conseguir tal coisa.

Hoje somos uma entidade mais forte e estruturada, atualmente nos mais diversos movimentos e espaços juvenis, com cerca de mias 100 mil filiados e intenso protagonismo nas lutas da juventude brasileira. Ocupamos a secretaria-adjunta da Secretaria Nacional de Juventude (SENAJUVE), conseguindo eleger o presidente do Conselho. Também estamos a frente na organização da 1ª conferência Nacional de Juventude, tanto na esfera municipal, estadual e federal.

Merece destaque aqui a retomada vitoriosa, a partir de 2002, do trabalho do Centro de Estudo e Memória da Juventude (CEMJ) e sendo a única que possui um programa para a juventude brasileira – materializado no manifesto da UJS.

Se você pensa como a gente: "Então vem, vem pra UJS vem pra luta também, também”.

UJS: POIS UM FILHO TEU NÃO FOGE A LUTA

UJS: POIS UM FILHO TEU NÃO FOGE A LUTA

Somos a União da Juventude Socialista. Somos herdeiros dos jovens que lutaram contra a ditadura militar, nascemos na luta pelas Diretas Já! Conquistamos o direito de votar aos 16 anos. Em 1992, formamos a juventude “cara pintada” que derrubou o presidente corrupto Fernando Collor. Lutamos contra oito anos de desmonte do país no governo FHC. E fomos os jovens que levaram o operário LULA à presidência da república.

Queremos um novo mundo, sem guerras, sem destruição dos povos. Por isso lutamos pelo Socialismo e consideramos a organização dos jovens indispensável para conquistar nossos direitos. O Socialismo é o sistema político que defende a democracia e a igualdade entre as pessoas. É o sistema que representa as verdadeiras aspirações da juventude porque valoriza o ser humano.

Em 2002 elegemos Lula presidente para mudar o Brasil. Sabemos que não será tarefa fácil, afinal o FHC deixou o país detonado em seus 8 anos de reinado. Vendeu as empresas nacionais e deixou nossa economia vendida pro FMI.

Esse anos temos a grande tarefa de reestruturarmos a UJS aqui em Piracicaba, e por isso precisamos dos jovens que almejam a mudança e o crescimento do país. E para isso devemos começar na nossa cidade, através do grêmio da nossa escola, nos movimentos sociais, no Hip-Hop, no trabalho, enfim em todos os lugares onde a juventude se faz presente.

E deixar de lado o velho ditado que nós jovens somos o futuro do país, e sim que somos o presente para construirmos o futuro!

NÃO TEM COMO FALAR DE BRASIL SEM FALAR DE UJS!

NÃO TEM COMO FALAR DE BRASIL SEM FALAR DE UJS!

A União da Juventude Socialista é uma organização política que luta há 23 anos em defesa da juventude brasileira e de um mundo mais justo para nosso povo. Já surge no meio do turbilhão do processo de democratização do país, em 1984, como uma resposta conseqüente à rebeldia dos jovens brasileiros, cansados das atrocidades cometidas pelo sistema político até então vigente. Nasce buscando “o futuro e a liberdade, os direitos que nos são negados, a esperança banida e a atitude subjugada” e, para isso, atua com destaque na Constituinte de 88. Formula e aprova o “Voto aos 16 anos” através do mais novo Deputado Constituinte, também da UJS, Edmilson Valentim.

A partir daí a UJS não parou mais! Desenvolveu de forma pioneira a campanha pelo Fora Collor; as mobilizações contra as privatizações das empresas nacionais; por emprego para juventude; educação pública de qualidade e, na história recente, pela eleição de Lula, barrando o constante ciclo das elites na presidência do país através da eleição desse trabalhador, sindicalista, identificado e comprometido com os anseios do povo brasileiro.

Porém, toda essas lutas fundamentais para a melhoria das condições de vida atual não fizeram nunca a UJS perder o rumo da defesa do Socialismo Científico, formulado por Marx e Engels. Socialismo esse que, no Brasil, tem que ter a cor e o jeito do povo brasileiro. Não á toa, a União da Juventude Socialista lança no seu 8º Congresso, em 1996, a campanha “Socialismo Com a Nossa Cara”. Assim desenvolve a necessidade de luta por um Brasil Socialista, compreendendo as particularidades do país e as formas de avanço desse projeto na conjuntura atual.

Para nós da UJS não dá para se conformar com a exploração do trabalhador, a miséria e a fome que assolam o nosso país. É preciso lutar para a construção de uma sociedade mais justa, democrática e SOCIALISTA. Essa é uma tarefa de todos nós!!!!!

Viva os 23 anos da UJS em defesa da juventude, do Brasil e do Socialismo

Quem Somos

O que é UJS?

A UJS é uma organização de jovens que lutam para a construção de uma sociedade mais justa e organizada; e vemos no socialismo a melhor maneira de conseguir tal coisa, se você pensa como a gente: "Então vem, vem pra UJS vem pra luta também, também”.

A HISTÓRIA DA UJS

1984, Brasília, ainda era tempo da ditadura das fardas militares, pelo país, a campanha pelas "Diretas Já" mobilizava milhões de pessoas, fazendo soprar os ventos da redemocratização. Na Assembléia Legislativa de São Paulo, centenas de jovens do país inteiro se encontraram no Dia da Juventude, 22 de setembro. O manifesto lido na tribuna, anunciava: "Somos jovens, operários, camponeses, estudantes, artistas, intelectuais, buscamos o futuro e a liberdade, os direitos que nos são negados, a esperança banida, a vontade subjugada..." e depois deste anuncio do manifesto começa a história da União da Juventude Socialista.

1985, foi no Ginásio de Esportes Tarumã, em Curitiba, que aconteceu o 1º Congresso Nacional da UJS. Delegações de todos os estados chegaram trazendo animação e vontade de participar. O congresso superou as expectativas, rolaram debates, shows, teatros e muita confraternização. No final, foi aprovada a campanha nacional por "emprego, esporte e cultura".

1986, a cidade de Vitória, no Espírito Santo, sediou o II Congresso Nacional da UJS. Entre as atividades esportivas e debates, os participantes trocavam experiências sobre a UJS. O Congresso foi marcado pelo debate sobre a eleições para a Assembléia Nacional Constituinte, convocada para aquele ano. Emprego, serviço militar e direito de voto aos 16 anos estavam presentes em quase todos os discursos. O congresso registrou um grande crescimento da participação dos estudantes, principalmente secundaristas.

1987, o país começava a ser repensado pela Assembléia Nacional Constituinte. Aracaju recebeu centenas de jovens do país inteiro, que foram participar do III Congresso Nacional da UJS. Na pauta, a necessidade de superar a discussão gerada pelas eleições do ano anterior e retomar a iniciativa política. Nos intervalos, música e poesia tomavam os corredores da Universidade Federal, onde acontecia o congresso. As resoluções definem o desafio: elaborar um programa da juventude para trabalhar e reorganizar as direções estaduais e núcleos. São dados os primeiros passos para aquela que seria a maior campanha da entidade: a conquista do voto aos 16 anos.

1988, o IV Congresso Nacional ocorre em Petropólis, contando com cerca de 1500 jovens. Fortalecida pela aprovação do voto aos 16 anos, a UJS realiza um grande ato político e o congresso pulsa crescimento. A programação é a combinação de debates político, painéis temáticos, atividades culturais e muita animação. Nas resoluções, o desafio de aprovar de maneira definitiva o voto aos 16 anos e de participar da campanha das diretas em 1988. O encerramento do congresso foi um show em praça pública. Durante todo o primeiro semestre a entidade se mobilizou pêlos estados e em Brasília. O bloco conservador, denominado "centrão", é contra o voto aos 16, apesar disso, o direito é aprovado no primeiro turno. A votação definitiva foi no dia 17 de agosto.

1989, logo no início do ano, a UJS lança um documento chamado "Quem é o inimigo, quem é você", defendendo a unidade dos partidos e juventudes de esquerda em torno de uma candidatura a presidência da república. Divulgado amplamente, o documento foi bem acolhido pelas organizações políticas mais avançadas. Ao lado desta movimentação, a UJS dá continuidade a campanha "voto aos 16", convocando os jovens para tirarem seus títulos eleitorais e a participarem da eleição para presidente da república. Em reunião com o Tribunal Superior Eleitoral e com tribunais regionais, a UJS procura facilitar a tirada do título. Em vários estados, ocorrem os arrastões em escolas e bairros para levar a juventude até os locais autorizados. Noutros em que os tribunais se mostraram mais acessíveis, funcionários credenciados acompanhavam o movimento da UJS e recebiam a solicitação do título na própria escola. A UJS chamava os jovens para se transformarem em eleitores e para votarem na oposição, buscando aprofundar a democracia e ampliar os direitos sociais.

1990, mais consciente das dificuldades políticas, a Coordenação Nacional da UJS busca redimensionar suas atividades, procurando aglutinar os militantes e enfrentar o debate de idéias. Em março, a UJS de São Paulo realiza o festival da Juventude, com atividades esportivas, cultural e de lazer. Além do político local, vários estados participaram, remando contra a maré neoliberal "collorida", a UJS realiza a campanha CURUPIRAS em defesa dos povos e da floresta amazônica. Cartazes, adesivos e um manifesto eram instrumentos do movimento. A UJS realiza em Belém, o encontro latino-americano em defesa dos povos e da floresta amazônica, que contou com cerca de 180 participantes e com presença de entidades e personalidades ligadas ao tema. A UJS faz parte da executiva do fórum brasileiro de ONG`s preparatório para ECO 92, na qual ela é representante da juventude.

1992, a ECO 92, realizou vários eventos promovidos pela ONU, e se torna referência brasileira no movimento ambientalista. O evento paralelo corre sob coordenação da UJS, entidades do mundo inteiro participavam da atividade, que questiona o encontro oficial. Na manifestação realizada contra os chefes de estado, a UJS é presença destacada.

1993, apesar do crescimento da força da juventude, a ação própria da UJS enfrenta alguns problemas. Foi um período de dificuldades políticas e materiais, mesmo assim a UJS participa do plebiscito nacional defendendo o parlamentarismo, organizou a greve nacional pelo primeiro emprego para a juventude, atuou contra a tentativa de aprovação da imputabilidade criminal para jovens de 16 anos.

1994, a UJS realiza seu VII Congresso Nacional, no mês de abril, em Salvador. Nele é debatida a atualização do manifesto da entidade. O texto aprovado como base é o "Socialismo, a juventude acredita nesta idéia!". É debatida uma plataforma para as eleições presidenciais e a defesa de uma frente popular, contra a candidatura de FHC. Da plataforma juvenil, contam a questão da violência, educação, trabalho, cultura, esporte, lazer, ecologia, drogas, mulher, saúde, participação política e serviço militar opcional.

1995, no mês de fevereiro, em Maceió, a UJS realiza o "Seminário Nacional – Socialismo, a juventude acredita nesta idéia!". Ali é aprovado o manifesto da UJS.

1996, o VIII Congresso é um marco na história da UJS, todos os militantes voltaram suas energias para o congresso. Com tema "Emprego para juventude". A abertura já havia demonstrado o respeito e o que a entidade desfruta no meio da juventude e dos setores políticos. O texto de apresentação da uma nova fase afirma: "A UJS entra numa nova fase a partir desse VIII Congresso Nacional. Depois do lançamento em 1984, a nossa entidade se desenvolveu bastante, participou de várias lutas, realizou campanhas e várias atividades."

1997, A UJS define 1997 como o "Ano Che Guevara", em função dos anos 30, da queda em combate do líder guerrilheiro. Por ser identificado com a rebeldia e com luta pelo Socialismo, Che, no Brasil e na América Latina, é um grande exemplo para a juventude. E foi nesse sentido que a UJS procurou resgatar sua história. A campanha contagia a UJS no país, cartazes, adesivos, bandeiras e camisetas são produzidos e alguns debates sobre o "Ano Che". A UJS ocupou um espaço tão importante nas homenagens, que na matéria espacial que o programa Fantástico da Rede Globo produziu, os militantes da entidade foram convidados para falar. A UJS atuou com destaque no comitê contra a reeleição de FHC e nas mobilizações contra a privatização das estatais, como a Companhia vale do Rio Doce. A entidade se ocupa também com os preparativos para o XIV Festival Mundial de Juventude, no mês de Julho, em Cuba. A delegação brasileira com cerca de 400 jovens. Mais de 130 eram da União da Juventude Socialista. No evento estão presentes dezenas de países e a presença da UJS é marcante em todos os debates, nas atividades culturais e nos contatos com outras organizações. Durante o festival, a direção nacional é convidada pela União dos Jovens Comunistas de Cuba, para uma reunião de amizade.

1998, precedido de assembléias estaduais de núcleos, no mês de abril acontece o IX Congresso Nacional, no Tuca, em São Paulo. Os delegados presentes aprovam o novo manifesto da UJS "Socialismo com a nossa cara". A resolução sobre eleições afirma: "não aceitamos a negação dos nossos direitos, a perda da Soberania Nacional e os ataques à democracia que representa o governo FHC. Por isso, a UJS deve participar ativamente das elisões combatendo a candidatura de FHC e seus aliados". Consta no documento também, uma plataforma juvenil, na qual se destaca a questão do emprego para a juventude, e tem propostas para a educação, ciência e tecnologia; cultura, esporte, lazer, terra, saúde, meio ambiente, cidadania, violência, drogas e crianças e adolescentes. Durante a batalha eleitoral realizou-se a primeira fase da campanha "Sem emprego não dá". Tivemos presença destacada nas atividades eleitorais em São Paulo, no Rio de Janeiro, em Minas Gerais e em outros estados. A UJS promove em conjunto com a UNEGRO e o Movimento Negro Unificado, o II encontro da Juventude Negra e Favelada, em BH. Ampliou seu contato com jovens da periferia e começou a participar do movimento HIP-HOP. Promoveu em conjunto com a CSC, o Encontro dos Jovens trabalhadores Socialistas.

1999, a UJS se filia e é eleita para o Conselho Geral da Federação Mundial da Juventude Democrática (FMJD). Além disso, participou das atividades em Portugal, no Chile e em Cuba. Com a bandeira do "Fora FHC" a UJS lança junto com Fórum Nacional em defesa de trabalho, terra e cidadania, um abaixo-assinado pedindo a CPI para o presidente no caso Telebrás. Desde o início e uma das organizações da "marcha dos 100 mil" Dela participou com destaque. A UJS chega aos seus 15 anos, tendo coordenações em 17 estados, sendo a força mais influente na UNE, na UBES, na ANPG e atuando no Fórum Nacional em defesa de trabalho, terra e cidadania. Conhecida e reconhecida pela juventude e pêlos movimentos sociais como organização da luta pelos direitos juvenis, pela democracia e pelo socialismo. A UJS é a única organização política e ideológica juvenil com 15 anos de existência no país. Desde que surgiu é personagem principal na história de luta da nossa juventude. Mesmo com toda a onda do "pensamento único" neoliberal e dos ataques ao Socialismo, ela mobiliza milhares de jovens contra o capitalismo e em torno da idéia de um socialismo com a cara da juventude e do Brasil. Socialismo que nascerá da luta unitária do povo e que inaugurará a república dos trabalhadores. Com 15 anos de idade, a UJS acumula o melhor da experiência da juventude brasileira, sua garra e disposição de luta.

É tanta história feita, e tanta coisa ainda por fazer. Desafios não faltam, agora, o governo Fernando Henrique Cardoso cai na desmoralização e a juventude ocupa a linha de frente do movimento que quer "Fora FHC" e um novo rumo para o país. Outros desafios, outras pessoas, mas a mesma certeza que motivou os mais de 600 jovens que fundaram a UJS em 1984, como dizia o primeiro manifesto: "não temos futuro no mundo capitalista, mesmo porque o capitalismo não tem futuro no mundo...". O manifesto atual completa: "... aqui, na UJS, vão se encontrar as bandeiras vermelhas, verdes, amarelas e nossos anseios, nossa rebeldia, nossa solidariedade e a luta diária pelo socialismo. Não nascemos para o silêncio, nascemos para cantar e viver outra vida, melhor e justa.

Nos 15 anos da UJS, viva a Juventude Socialista tem mais, a UJS tem atividades em torno da luta da mulher jovem, do movimento negro, dos jovens desempregados do movimento comunitário, participa de várias torcidas organizadas e de tantas outras áreas e movimentos que a juventude se faz presente.