domingo, 22 de março de 2009

A UJS NOS MOVIMENTOS JUVENIS

A UJS NOS MOVIMENTOS JUVENIS

Se os movimentos juvenis são de luta, o futuro nos pertence!

Movimento estudantil secundarista e universitário e os seus desafios

90. Em nosso país, o movimento estudantil tem a marca da união e da combatividade. Politizado, tem histórico de participação ativa nas grandes lutas do país, sem nunca esquecer das demandas mais imediatas dos estudantes. De sua pluralidade vem a garantia da participação e da amplitude em suas lutas. Por isso esse movimento é destacadamente a principal forma de luta política da juventude brasileira e a principal frente de atuação da UJS.

91. Não à toa, a UJS é a maior corrente política organizada entre os estudantes brasileiros. Isso é fruto da abnegação da nossa militância na construção dessa frente e, especialmente, da concepção de que o movimento estudantil é de todos os estudantes brasileiros, devendo pautar as grandes questões nacionais sempre ao lado das lutas específicas do cotidiano dos estudantes.

92. No último período, as entidades estudantis cresceram e ganharam maior visibilidade. Junto à Coordenação dos Movimentos Sociais (CMS), tiveram importante papel na conscientização e mobilização da juventude, sendo responsáveis por algumas das grandes jornadas de lutas do nosso país. Além disso, souberam aproveitar o ambiente mais democrático que vivenciamos para pautar e obter vitórias relacionadas a bandeiras de luta históricas dos estudantes.

93. A UBES, por exemplo, participou da aprovação do fundo de desenvolvimento da educação básica (FUNDEB), que amplia significativamente as verbas para a educação. Posicionou-se em relação ao Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), aplaudindo seus avanços e apontando criticamente suas insuficiências. Realizou seu vitorioso 37º Congresso, colocando no seu centro a necessidade de uma Nova Escola com educação de qualidade. Viu a bandeira da valorização do ensino técnico transformar-se em realidade, com a construção de novas escolas técnicas por todo o país. Além disso, a UBES foi a entidade do passe estudantil, colocando milhares de estudantes nas ruas para brigar por essa bandeira.

94. A UNE segue esse mesmo rumo e amplia seu prestígio na sociedade. Aproveitando a mobilização realizada para sua 5ª Bienal de Cultura, os estudantes ocuparam e ganharam na Justiça a posse do terreno da Praia do Flamengo (Rio de Janeiro), sede histórica da UNE e da UBES até a ditadura militar incendiar o prédio e tomar o terreno. O processo de ocupação gerou grande repercussão e ganhou amplos setores da sociedade para o direito de as entidades reconstruírem sua sede ali. O ano de 2007 foi marcado também pela realização do 50º Congresso da UNE, nos marcos da reforma do movimento estudantil, possibilitando um envolvimento incomparável dos estudantes ao longo de todo o processo. Uma grande passeata em Brasília durante o Congresso exigiu mudanças na política econômica do governo Lula e mostrou que os estudantes continuam unidos e atentos às grandes lutas nacionais. Além disso, a UNE comemorou a criação de novas universidades públicas e a expansão do ProUni, e disputou nos conselhos universitários a aprovação do Reuni, programa que expande as vagas das universidades federais – demanda histórica dos estudantes.

95. Apesar dessas e de outras importantes conquistas do movimento estudantil, os desafios para o próximo período são muitos. A dimensão que tem esse movimento requer uma constante auto-superação, para não perder suas características.

96. Fortalecer a rede do movimento estudantil é parte desse desafio. Precisamos dar maior identidade para as entidades estaduais e suas redes. O movimento universitário precisa de UEEs e DCEs mais presentes na política de cada estado, próximos do cotidiano dos estudantes. No movimento secundarista a dificuldade aumenta, pois existe uma lacuna maior entre a UBES e os grêmios, o que tem colocado um grande desafio, relacionado à radical reestruturação desse movimento. Na tentativa de dar resposta a isso, a UBES propôs o fortalecimento, a criação e a reconstrução das Uniões Municipais, a realização de encontros de grêmios, no sentido de conectar as lutas das escolas com as lutas nacionais e vice-versa.

97. Outra questão importante é radicalizar no caráter combativo do movimento estudantil. Travar lutas nas escolas e universidades que dialoguem com o cotidiano dos estudantes brasileiros tem papel decisivo. O centro de ação do movimento estudantil deve ser a própria escola ou a universidade. O movimento deve refletir as dificuldades de cada lugar, pautando as questões mais específicas que tocam os estudantes no seu dia-a-dia.

98. A diversificação da atuação das entidades é outro assunto no qual precisamos pensar com mais atenção. Áreas como o esporte, que mobilizam grande parte da juventude estudantil, precisam sair do discurso e ir para a prática.

99. Precisamos enfrentar as dificuldades financeiras das entidades, que sentem hoje os efeitos da Medida Provisória 2208, editada no governo FHC. A militância da UJS que tem tarefa no movimento estudantil precisa encarar com toda seriedade e profissionalismo a organização e a administração das entidades. Devemos dar importância ao que dizem os Estatutos e sempre buscar registrar legalmente as entidades.

100. As recentes conquistas do movimento estudantil são fruto do amadurecimento das forças que participam das entidades, mas principalmente da atuação constante da UJS. Contribuímos ao longo da história para a manutenção da unidade e para a construção da pluralidade no movimento.

101. A UJS é hoje a maior força política organizada entre os estudantes, mas devemos saber que o movimento estudantil é muito dinâmico. Por isso é necessário investir desde os grêmios e Centros Acadêmicos para fortalecer o movimento e crescer permanentemente para manter nossa influência.

102. Os últimos anos do movimento secundarista nos mostraram que é preciso reequilibrar as forças que despendemos entre os movimentos secundarista e universitário. É preciso dar mais atenção a quem necessita de maior acompanhamento, como é o caso, hoje, do movimento secundarista. Isso não pode significar, no entanto, um rebaixamento da atenção conferida ao movimento universitário. Para materializar isso, propomos que as instâncias de direção possam dividir o acompanhamento, havendo um diretor responsável pelo movimento secundarista e outro diretor responsável pelo movimento universitário. Ambos atuarão juntos, pensando as políticas para os movimentos estudantis. Os estados devem respeitar suas particularidades ao implementar tal medida, resguardando que sua aplicação seja feita apenas em benefício e melhoria do acompanhamento e nunca signifique a depreciação política deste, que seja para os secundaristas ou para os universitários. Além dessa medida, devemos pensar em outras formas de materializar o reequilíbrio. Demos um primeiro passo com a realização, em janeiro de 2008, do Seminário sobre o Movimento Secundarista. Mas é preciso, ainda, exercitar uma maior interação com as demais frentes da UJS e intensificar a transversalidade, pois na escola e na universidade encontram-se quase todas as frentes, podendo uma potencializar a outra. Exemplo disso é a interação da UJS secundarista com o movimento hip hop, o esporte e a luta pela educação sexual nas escolas, com pontes para os movimentos feminista e o combate à homofobia.

103. Como frentes prioritárias de atuação da UJS, o movimento estudantil secundarista e o movimento estudantil universitário devem dar o exemplo dessa nova fase, mais diversificada, de nossa organização. Devemos aplicar a proposta de autonomia organizativa de nossa atuação nos movimentos estudantis já na construção do 14º Congresso, apresentando um plano específico de crescimento, com metas de filiação e organização de Núcleos, tudo em plena sintonia com a nossa atuação nas entidades estudantis. A UJS é fundamental para impulsionar a UNE e UBES na renovação, inovação e massificação dos métodos de dialogar com os estudantes brasileiros. Além disso, precisamos ter uma atuação mais diversificada nos Grêmios, Uniões Municipais de Estudantes Secundaristas, Centros Acadêmicos, Diretórios Acadêmicos e Diretórios Centrais de Estudantes.

104. Devemos organizar mais e melhor nossa intervenção através dos Núcleos, especialmente os prioritários, que devem existir em grandes universidades, nos CEFETs e nas demais escolas grandes e tradicionais, além dos principais colégios das periferias e regiões que cumprem importante papel nesses locais. Só assim conseguiremos converter nossa grande influência política em crescimento orgânico para a UJS.

105. A UJS deve intensificar sua atuação nas executivas de cursos, designando responsáveis pelo acompanhamento da área, assim como organizando debates que ajudem em nossa formulação política para a realidade de cada curso. Também importante é a UJS debater e formular uma opinião sobre ensino à distância, devido o seu grande avanço no setor educacional brasileiro.

106. Outro desafio está ligado à idéia de estabelecer o espaço da escola e da universidade enquanto centros gravitacionais do movimento estudantil. Parece muito lógico – e é –, mas às vezes tornamos as sedes das entidades gerais o nosso principal espaço. Nesses casos, precisamos inverter a lógica: a militância do movimento estudantil precisa estar concentrada nas escolas e universidades, e os dirigentes das entidades gerais devem conviver em essa militância, acompanhando a construção das entidades de base e nosso trabalho nesses espaços.

Jovens trabalhadores

107. Na década de 1990, a grande ofensiva do projeto neoliberal em todo o mundo gerou um enorme exército de desempregados e de pessoas sem perspectivas de trabalho e de vida. Essa investida do grande capital trouxe conseqüências para pessoas de todas as faixas etárias, mas foram os jovens os que mais sofreram as perversas conseqüências desse processo, seja através da precarização das relações de trabalho e dos salários reduzidos, seja no plano ideológico, onde prevaleceu (e ainda prevalece) o individualismo.

108. Implementar a organização da UJS entre os trabalhadores é fundamental para completar a nossa consolidação e caráter socialista, pela dimensão estratégica de formar a classe trabalhadora do presente e do futuro e para construir o Socialismo. Ademais superará uma grande lacuna de nossa organização, permitindo ao jovem militante socialista completar todo o ciclo de sua juventude na UJS, da escola secundarista até o ingresso pelo trabalho na vida adulta. mantendo as convicções revolucionárias e legando ao movimento sindical uma nova geração de quadros para a luta sindical atual, dando seguimento à luta na vida adulta e completando o ciclo etário da nossa escola de Socialismo.

109. A Atuação da frente de jovens trabalhadores é expressão da luta contra a dominação e a exploração capitalista que são sentidas pelo trabalhador na própria pele. A juventude é grande parcela dos trabalhadores e sofre cotidianamente com trabalhos degradantes, com a precariedade e a negação de seus direitos, com o assédio moral e sexual. Estes jovens são público privilegiado para a mensagem socialista. Assim, ganha importância ainda maior nesta nova fase da UJS e do movimento sindical, sobretudo com a fundação da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e da Juventude da CTB. Uma juventude atuante, com sua característica básica de ousadia e inovação, pode servir de mola propulsora para importantes transformações na organização sindical. Também não podemos desconsiderar que a juventude representa um importante vetor da disputa pela hegemonia das idéias avançadas no movimento sindical brasileiro. É, portanto, papel dessa frente ajudar a forjar nas futuras lideranças uma consciência política avançada e classista.

110. A atuação da UJS entre os jovens trabalhadores vem crescendo significativamente e tem se dado a partir da Corrente Sindical Classista (CSC). A UJS deve ter atenção para construir espaços amigáveis à organização de jovens trabalhadores, com horários, dinâmicas, responsáveis permanentes para a consolidação da frente, desenvolvendo uma dinâmica de atividades (inclusive esportivas e culturais) e linguagem que permitam a sua incorporação na UJS. Essa frente ganha um peso e uma importância ainda maiores a partir da entrada da CSC na nova CTB. A UJS é parte do desafio de construir uma nova central classista e democrática, efetivamente de todos os trabalhadores e trabalhadoras, do campo e da cidade. A juventude tem uma importante contribuição a dar nesse sentido, já que representa a presente e também a futura geração do sindicalismo brasileiro.

111. A cada ano temos ampliado nossa participação na frente de jovens trabalhadores. No início de 2007 nos destacamos no 2º Encontro de Juventude da Central Única dos Trabalhadores (CUT), onde conseguimos aumentar muito nossa bancada em relação à primeira edição do Encontro, chegando mesmo a ser maioria em vários estados do país. Ainda assim, perdemos a vaga que tínhamos na secretaria de juventude da CUT.

112. Um marco importante de nosso trabalho nessa área foi o Encontro de Jovens da Corrente Sindical Classista (CSC), ocorrido durante o congresso dessa entidade em setembro de 2007, que definiu pela saída da CUT e aprovou seu ingresso na nascente CTB. No final do mesmo ano, a UJS teve destacada presença no Congresso de fundação da CTB, no qual foi aprovada a realização do primeiro Encontro da Juventude da CTB.

113. Vale salientar também a participação dos jovens trabalhadores socialistas nas atividades dos movimentos sociais, inclusive internacionais, como as Cúpulas Sociais dos Povos e o Fórum Social Mundial, dentre outros encontros.

Desafios da UJS entre os jovens trabalhadores

114. A maioria dos jovens que ingressam no mercado de trabalho não se identifica com a linguagem de sua organização sindical ou não vê nela um órgão onde possam expressar suas idéias ou lutar por suas bandeiras. Nos sindicatos, os jovens não se fazem representar na mesma proporcionalidade em que estão na categoria e acabam cumprindo o papel de coadjuvantes no sindicato e na sua direção. As políticas voltadas à juventude devem estar presentes nos sindicatos, nas ações, na militância, na direção e na linguagem. Os sindicatos devem lutar de forma mais juvenil, com o jovem e pelo jovem.

115. A tarefa da UJS é atuar na Juventude da CTB para identificar e incorporar as pautas específicas da juventude e torná-las parte das lutas sindicais, além de construir Secretarias e Comissões de Juventude dentro das estruturas da CTB e dos sindicatos.

116. Além disso, a UJS precisa atuar não apenas entre os jovens trabalhadores que possuem carteira assinada, mas também entre os jovens que se encontram na informalidade e entre os jovens desempregados. Da mesma forma, é nossa tarefa estimular a Juventude da CTB a organizar os jovens desempregados e a expressiva parcela de jovens trabalhadores informais em associações, ampliando assim o raio de alcance dos sindicatos e das idéias classistas – sem perder de vista que a luta dos trabalhadores tem nos sindicatos sua expressão de massas mais elevada.

117. Outro desafio importante é atuar junto à juventude rural, nas Federações e na Confederação Nacional dos Trabalhadores da Agricultura (Fetags e Contag). A juventude rural possui bandeiras específicas, como o acesso à educação, à terra e às novas tecnologias rurais, o êxodo rural, a informalidade, dentre outras. A CTB nasce com forte presença no sindicalismo rural, o que devemos aproveitar para traduzir em crescimento da UJS e fortalecimento da luta dos jovens do campo.

118. Precisamos aproveitar o nascimento da CTB e da Juventude da CTB para dar um novo trato à nossa atuação entre a juventude trabalhadora do campo e da cidade. Nesse sentido, as Direções Estaduais devem eleger um diretor para essa frente. Além disso, a UJS deve estar atenta e priorizar sua atuação nas escolas técnicas e nos grandes pólos industriais do nosso país. É prioridade pautar cotidianamente no conjunto das direções da UJS – municipais, estaduais e nacional – a atuação e o acompanhamento dos jovens trabalhadores. Da mesma forma, é importante mapear junto ao Coletivo nacional dessa área quais serão os Núcleos prioritários por categoria e por local de trabalho, impulsionando nossa ação de forma organizada.

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